158 milhões vão às urnas: quem lucra com a eleição?

158 milhões vão às urnas: quem lucra com a eleição?
Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Enquanto 158,7 milhões de brasileiros se preparam para votar em outubro — muitos sem água encanada ou internet decente —, uma elite política movimenta fortunas que fariam corar um sheik do petróleo.

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou nesta segunda-feira (20) o número recorde de eleitores aptos para as eleições presidenciais. São quase 2,3 milhões de pessoas a mais que em 2022. Um crescimento de 1,46%.

O circo está armado

Primeiro turno dia 4 de outubro. Segundo turno dia 25, se necessário. Na mesa: Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara Federal e assembleias legislativas.

O TSE já fechou acordos com big techs para "combater desinformação". Liberou novas funcionalidades no e-Título. Até criou um selo para premiar institutos de pesquisa.

Tudo muito bonito no papel.

O que eles não contam

Nos bastidores, a pergunta que ninguém faz publicamente: quantos desses candidatos têm patrimônio real declarado?

Quanto está escondido em offshore políticos brasil afora — paraísos fiscais no Caribe, contas na Suíça, imóveis em Miami comprados por laranjas?

A Justiça Eleitoral obriga declaração de bens. Mas qualquer auditor sabe: declarar não é o mesmo que revelar.

O negócio bilionário da democracia

Cada eleição no Brasil movimenta bilhões. Fundo eleitoral, fundo partidário, doações legais, campanhas milionárias na TV e internet.

Em 2022, só o fundo eleitoral foi de R$ 4,9 bilhões. Para 2026, a expectativa é de valor ainda maior.

E quem controla essa grana? Partidos com estruturas opacos, dirigentes que tratam siglas como propriedade privada, candidatos que entram pobres na política e saem milionários.

O eleitor comum paga a conta

O brasileiro médio ganha R$ 2.800 por mês. Paga 34% de impostos embutidos em tudo que consome.

Esse dinheiro financia não só serviços públicos — quando funcionam —, mas também a máquina eleitoral que perpetua os mesmos nomes no poder.

Dinastias políticas. Famílias inteiras vivendo de mandatos há gerações. Patrimônios que se multiplicam misteriosamente a cada legislatura.

Transparência seletiva

O TSE é eficiente para cadastrar eleitores, enviar notificações, multar quem não vota.

Mas quando se trata de investigar enriquecimento ilícito, rastrear dinheiro offshore ou quebrar sigilos bancários de políticos, a máquina emperra.

Processos demoram anos. Prescrições são comuns. Penas alternativas, mais ainda.

Enquanto isso, 158,7 milhões de brasileiros vão apertar botões nas urnas eletrônicas acreditando que seu voto vale tanto quanto o do empresário que janta com candidatos em iates.

Spoiler: não vale.

A eleição de outubro vai acontecer. Os discursos inflamados também. As promessas de sempre.

Mas até que alguém abra de verdade a caixa-preta do patrimônio político — incluindo offshore políticos brasil e exterior —, continuaremos votando no escuro.

E eles, rindo no claro.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.