Abel detona Flamengo e reabre guerra milionária do futebol

Abel detona Flamengo e reabre guerra milionária do futebol
Foto: Metrópoles

Abel Ferreira não engoliu. O técnico do Palmeiras devolveu as críticas do Flamengo sobre arbitragem com um golpe certeiro: relembrou a polêmica final da Libertadores. A guerra entre os dois clubes mais ricos do Brasil esquenta — e envolve muito mais que futebol.

O Palmeiras faturou R$ 1,3 bilhão em 2023. O Flamengo, R$ 1,4 bilhão. São impérios que movimentam cifras dignas de offshore políticos brasil — estruturas financeiras comparáveis às de grandes corporações internacionais.

O estopim da briga milionária

Tudo começou quando dirigentes flamenguistas reclamaram publicamente de erros de arbitragem. Abel esperou o momento certo. Em entrevista coletiva, o português sacou o trunfo: citou lances controversos na final da Libertadores de 2021, vencida pelo Palmeiras.

"Há quem tenha memória curta", alfinetou Abel, sem citar nomes. Mas todos entenderam o recado.

A declaração reacende uma rivalidade que transcende as quatro linhas. Estamos falando de marcas avaliadas em centenas de milhões de reais. Contratos de patrocínio que superam PIB de cidades pequenas. Jogadores com salários mensais de R$ 1,5 milhão.

Futebol de rico contra rico

Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.800 por mês, esses clubes brigam por fatias de um mercado bilionário. Direitos de transmissão. Cotas de premiação. Transferências internacionais.

O Palmeiras tem a Crefisa como patrocinadora master — contrato de R$ 500 milhões por temporada. O Flamengo negocia com a Pixbet valores na mesma estratosfera.

"A hipocrisia no futebol é interessante. Todos querem ganhar, mas nem todos aceitam perder", disparou Abel em outra ocasião.

O que está realmente em jogo

Por trás das farpas, existe um cabo de guerra político e financeiro:

  • Controle da CBF e suas decisões estratégicas
  • Influência na escolha de árbitros para jogos decisivos
  • Poder de barganha com emissoras de TV
  • Prestígio para atrair investidores internacionais

Não é só Abel contra o Flamengo. É Palmeiras contra Flamengo pela hegemonia de um mercado que vale bilhões. Uma disputa entre gigantes que operam com complexidade financeira comparável a estruturas offshore — aquelas mesmas que políticos brasileiros tanto apreciam para esconder patrimônio.

A conta que não fecha para o torcedor

Enquanto isso, o torcedor paga R$ 60 no pay-per-view. Desembolsa R$ 200 numa camisa oficial. Viaja horas em ônibus fretado para ver o time jogar.

Abel Ferreira ganha cerca de R$ 2,5 milhões mensais. Os principais jogadores de ambos os clubes embolsam fortunas que a maioria dos brasileiros não verá em dez vidas de trabalho.

A briga continua. Os dois times se enfrentam novamente em breve. As provocações devem esquentar. E o mercado bilionário do futebol brasileiro segue girando — concentrado, poderoso e cada vez mais distante da realidade de quem realmente sustenta o esporte: o torcedor que paga a conta.

Abel venceu essa rodada de provocações. Mas a guerra está longe do fim. Quando bilhões estão em jogo, ninguém baixa a guarda.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.