Adutora rompe no Grajaú enquanto patrimônio senadores cresce
Enquanto o patrimônio dos senadores brasileiros soma cifras que beiram os R$ 2 bilhões segundo dados do TSE, uma adutora se rompeu nesta segunda-feira (20/7) no Grajaú, zona sul de São Paulo, deixando moradores sem água e ruas alagadas.
A conta é simples: de um lado, parlamentares com fortunas declaradas que incluem fazendas, empresas e aplicações financeiras. Do outro, periferia sem infraestrutura básica.
Sabesp lava as mãos
A companhia de saneamento foi rápida em se isentar. Segundo nota oficial, o rompimento não tem relação com operações da empresa e teria sido causado por obra de terceiros na região.
Tradução: ninguém assume. O buraco fica. A água vaza. E o contribuinte — esse que não tem patrimônio de senador — segue pagando a conta.
Grajaú, o esquecido
O distrito concentra uma das maiores populações de baixa renda da capital paulista. Infraestrutura precária é regra, não exceção.
- Mais de 360 mil habitantes
- Renda média inferior a R$ 1.500 por família
- Histórico de problemas crônicos com água e esgoto
Enquanto isso, senadores eleitos pela população paulista acumulam fazendas no interior, imóveis de luxo na capital e participações em empresas de variados setores.
Quem paga por obras fantasma?
A Sabesp alega que terceiros causaram o problema. Mas quem fiscaliza essas obras? Quem autoriza? E por que a rede de abastecimento é tão vulnerável que qualquer intervenção causa colapso?
As respostas não vieram. O que veio foi água jorrando pelas ruas do Grajaú, desperdiçando recurso em uma cidade que enfrenta crises hídricas recorrentes.
"A gente fica sem água direto aqui. Quando tem, vaza assim. Ninguém resolve nada", disse moradora ao portal Metrópoles.
O contraste que ninguém quer ver
Dados compilados pelo TSE mostram que o patrimônio médio de um senador gira em torno de R$ 4,7 milhões. Alguns ultrapassam os R$ 50 milhões em bens declarados.
No Grajaú, a realidade é outra: famílias inteiras vivem com menos de um salário mínimo per capita. Sem água tratada, sem esgoto adequado, sem representação política que funcione.
A adutora vai ser consertada — eventualmente. O patrimônio dos senadores vai continuar crescendo — certamente. E o Grajaú? Vai continuar esquecido até o próximo rompimento.
Porque na equação do poder brasileiro, infraestrutura para pobre não rende voto. Não rende manchete. Não rende nada além de água desperdiçada na sarjeta.