Advogado preso por estupro: quanto vale a impunidade?

Advogado preso por estupro: quanto vale a impunidade?
Foto: Metrópoles

Enquanto brasileiros comuns dividem apartamentos de 40 metros quadrados, um advogado em Mato Grosso possuía lotes tão grandes que abrigava inquilinos — entre eles, a mãe de uma menina de 6 anos. A criança foi estuprada. O suspeito: o próprio dono das terras.

A Polícia Civil prendeu o homem na última semana. Ele é investigado por estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil no computador pessoal.

O Crime Revelado

A vítima e a mãe viviam em um lote de propriedade do advogado. A relação de dependência econômica era clara: ele tinha o patrimônio, elas precisavam de moradia.

Segundo a investigação, o homem aproveitou-se da vulnerabilidade da família para cometer os abusos. A criança tinha apenas 6 anos.

Quando os policiais vasculharam o computador do suspeito, encontraram material de pornografia infantil armazenado. A prisão foi decretada pela Justiça.

Quanto Vale a Proteção?

O caso levanta a questão incômoda: profissionais liberais de elite, com patrimônio para possuir múltiplas propriedades, operam sob proteções que cidadãos comuns não têm?

Advogados no Brasil frequentemente figuram entre as classes com maior poder aquisitivo. Dados da Receita Federal mostram que a categoria declara patrimônios médios superiores a R$ 500 mil — muito acima da média nacional de R$ 89 mil.

Mas o dinheiro não compra apenas conforto. Compra acesso, influência, capacidade de protelar processos.

O Padrão Se Repete

Este não é caso isolado. Levantamento do Ministério Público aponta que crimes sexuais contra crianças ocorrem majoritariamente dentro de relações de poder: familiares, conhecidos, pessoas com ascendência econômica sobre as vítimas.

A diferença aqui: o suspeito conhecia as leis. Trabalhava com elas. E, segundo a acusação, violou a mais básica delas — a proteção de uma criança.

A Ordem dos Advogados não se pronunciou sobre o caso até o fechamento desta matéria.

O Que Vem Agora

O advogado permanece preso preventivamente. A investigação corre em sigilo para proteger a identidade da vítima.

A menina e a mãe foram encaminhadas para acompanhamento psicológico e reassentadas em local seguro.

Resta saber se a Justiça funcionará tão rápido para um réu com recursos quanto funciona para réus sem advogado particular.

Porque no Brasil, há duas velocidades para tudo — inclusive para a punição.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.