Agenda de Ronald: quem manda no Brasil cabe num celular
Enquanto você luta para marcar consulta no SUS pelo telefone, Ronald Nazário, filho de Ronaldo Fenômeno, brinca de mostrar a agenda do celular. No catálogo: ministro do Supremo Tribunal Federal, DJ milionário e a fina flor da elite brasileira.
O garoto de 24 anos participou de uma brincadeira nas redes sociais revelando quem está salvo em seus contatos. Entre os nomes: Alok, o DJ que fatura milhões por apresentação, e um ministro do STF — cargo vitalício, salário de R$ 41 mil mensais, poder de derrubar governos.
O clube dos eleitos
Ronald não precisou dar detalhes. A simples menção já diz tudo sobre quem manda no Brasil de verdade. Não são os 33 milhões de desempregados. Não são os professores que ganham um salário mínimo. São os que transitam entre camarotes, jatinhos particulares e gabinetes em Brasília.
A agenda telefônica virou documento sociológico. Mostra como funciona a engrenagem do poder: todos se conhecem, todos se falam, todos estão a uma ligação de distância.
"Escolho meu pai como maior estrela", disse Ronald durante a brincadeira, apontando Ronaldo Fenômeno como o contato mais ilustre.
Nada contra o orgulho filial. Mas a declaração escancara o óbvio: na elite, até a modéstia é um luxo performático.
Dinheiro chama dinheiro, poder atrai poder
Ronaldo Fenômeno construiu fortuna estimada em R$ 2 bilhões. Seu filho cresceu nesse universo onde ministros e artistas milionários não são notícia — são vizinhos de contato telefônico.
A brincadeira revela o que sociólogos chamam de "capital social": a rede de relacionamentos que abre portas, resolve problemas, facilita negócios. Quanto mais poderosa sua agenda, mais poderoso você se torna.
Enquanto isso, o brasileiro médio precisa de meses para conseguir uma audiência judicial. Precisa enfrentar filas intermináveis em repartições públicas. Precisa torcer para que alguém atenda o 0800.
A distância de uma ligação
- Ronald tem ministro do STF no celular
- Alok, que cobra R$ 1 milhão por show, também está na lista
- A brincadeira casual expõe privilégios naturalizados
- Para a elite, acesso ao poder é rotina, não exceção
Não há crime nisso. Não há escândalo no sentido tradicional. O problema é estrutural: quem manda no Brasil pertence a círculos tão fechados que até os filhos jovens já nascem com a agenda completa.
O garoto não pediu para nascer em berço de ouro. Mas sua inocente exibição de contatos joga luz sobre como privilégio se perpetua. Não é só dinheiro — é acesso. Não é só herança — é influência.
O poder que não aparece no organograma
Nenhuma Constituição prevê que ministros do STF devam ter intimidade com famílias de atletas bilionários. Nenhuma lei exige que celebridades e magistrados compartilhem círculos sociais.
Mas é assim que o Brasil real funciona. Longe dos discursos sobre democracia e igualdade, existe uma camada de relacionamentos que determina quem resolve, quem acelera, quem decide.
Ronald só mostrou o celular. Sem querer, revelou o mapa do poder brasileiro: pequeno, exclusivo, hereditário.
Enquanto você espera sua vez na fila, eles já se falaram pelo WhatsApp.