Alemão roda 80 mil km em Kombi elétrica e expõe abismo Brasil-Europa
Enquanto você, leitor de Brasília, encara filas em postos de gasolina a R$ 6 o litro, um alemão chamado Rainer Zietlow acaba de cravar 80 mil quilômetros em uma Kombi elétrica. Oitenta. Mil. Quilômetros. Passou por 77 países, incluindo o Brasil, sem queimar uma gota de combustível fóssil. E vai entrar para o Guinness Book como autor da maior viagem elétrica da história.
A pergunta que não quer calar: por que isso ainda soa como ficção científica por aqui?
O recorde que envergonha lobbies
Zietlow largou em julho de 2025 ao volante de uma Volkswagen ID.Buzz — a versão elétrica da lendária Kombi. Cruzou continentes. Desertos. Montanhas. Chegou ao fim da expedição épica provando que mobilidade elétrica não é papo de ambientalista chique. É tecnologia madura.
Mas aqui no Brasil, onde passou durante a viagem, o alemão deve ter estranhado. Postos de recarga? Raros. Incentivos fiscais? Piada. Enquanto Europa e China avançam, Brasília empurra com a barriga.
E tem dedo de quem nisso.
Quem lucra com seu tanque cheio
A resistência brasileira ao carro elétrico não é acaso. É projeto. Gigantes do petróleo, distribuidoras, políticos com ações em combustíveis — todos ganham enquanto você sangra no posto.
A Volkswagen já vende a ID.Buzz na Europa por 60 mil euros. Aqui? Nem chega. Impostos de importação chegam a 35%. IPI sobre carros elétricos foi reduzido, mas ainda patina em burocracia. Quem perde? O consumidor. Quem ganha? A cadeia que vive do seu escapamento.
Zietlow provou que infraestrutura de recarga funciona. Ele atravessou países pobres, ricos, desertos, geleiras. Recarregou em tomadas domésticas, postos solares, pontos públicos. O Brasil tem sol de sobra, território continental e capacidade técnica. Falta vontade política.
Brasil ficou para trás — de novo
Enquanto o alemão faz história, o brasileiro médio gasta 15% do salário só em gasolina. Classe média? Mais ainda. E Brasília? Segue subsidiando refinaria estatal e protegendo oligopólios.
A ID.Buzz que Zietlow pilotou tem autonomia de 400 km por carga. Suficiente para 90% dos deslocamentos urbanos brasileiros. Recarga completa em tomada residencial? Menos de R$ 50. Um tanque de gasolina? R$ 350 fácil.
Mas a matemática não interessa a quem vive de royalties e propina de combustível.
O que o recorde escancara
- 80 mil km sem combustível fóssil em veículo de série
- 77 países atravessados, incluindo nações sem infraestrutura de primeiro mundo
- Tecnologia disponível desde já — não é futuro, é presente
- Brasil segue refém de lobby energético concentrado em Brasília e Rio
Rainer Zietlow não é bilionário. Não tem foguete espacial. É um aventureiro que provou o óbvio: carro elétrico funciona. Até no Brasil, onde ele recarregou sem drama.
A diferença? Lá fora é rotina. Aqui é façanha.
"A maior viagem elétrica da história aconteceu enquanto o Brasil fingia que a tecnologia não existe. Coincidência? Pergunte a quem financia campanha em Brasília."
Quando o Guinness oficializar o recorde de Zietlow, o Brasil terá mais uma estatística constrangedora: ficamos para trás até em mobilidade. De novo. Por escolha de poucos. Para lucro de menos ainda.