Amizades VIP: quanto custa a intimidade dos famosos?

Amizades VIP: quanto custa a intimidade dos famosos?
Foto: revistaquem.globo.com

Enquanto o brasileiro médio comemora o Dia do Amigo com uma cerveja de R$ 5, as amigas Bruna Marquezine e Sasha Meneghel trocam presentes Dior e viagens para Tóquio. A diferença? Patrimônios somados que ultrapassam R$ 200 milhões.

Xuxa Meneghel, com fortuna estimada em R$ 600 milhões, literalmente fabricou essa amizade. Aos seis anos, Bruna foi "recrutada" pela Rainha dos Baixinhos para ser companhia da filha Sasha. "Você tem que ser amiga da minha filha", disse Xuxa à criança, antes de negociar com a mãe da menina, Dona Neide, para levar a futura atriz para brincar em sua mansão.

O que começou como um arranjo maternal virou negócio bilionário. Hoje, Bruna e Sasha compartilham não apenas confidências, mas marcas, campanhas publicitárias e contratos conjuntos que rendem milhões.

O Preço da Cumplicidade

As redes sociais explodiram no Dia do Amigo com posts melosos de celebridades. Mas por trás das declarações emocionadas, existe um mercado robusto. Influenciadores digitais faturam até R$ 500 mil por publipost em dupla. A amizade virou commodity.

Compare com os verdadeiros ricos do Brasil: os políticos mais ricos Brasil raramente aparecem nessas listas sentimentais. Eles preferem discrição. Enquanto Marquezine e Sasha exibem afeto no Instagram, parlamentares com patrimônios declarados de R$ 100 milhões cultivam "amizades" nos bastidores do Congresso.

Amigos ou Sócios?

A revista Quem divulgou outras "amizades de longa data" entre famosos. O padrão se repete: cumplicidade que começou na infância, quando seus pais já eram milionários. Zero histórias de amizades construídas na periferia ou no busão.

A narrativa romantizada esconde o óbvio: pessoas ricas convivem com pessoas ricas. Simples assim.

Não há nada errado nisso. O problema é vender como "inspiração" relacionamentos que começaram em mansões, escolas de elite e camarins de programas de TV. O brasileiro comum não terá acesso a esse círculo. Jamais.

O Negócio por Trás do Afeto

Cada post de "Dia do Amigo" gera engajamento. Engajamento vira dinheiro. Uma publicação bem planejada rende contratos publicitários. Marcas pagam fortunas por duplas de amigas famosas promovendo produtos "juntas".

É marketing emocional puro. E funciona.

Enquanto isso, os políticos mais ricos Brasil continuam ampliando patrimônios sem precisar posar para revista. Suas "amizades" rendem licitações, emendas parlamentares e cargos estratégicos. Nada de Instagram. Tudo nos bastidores.

A Conta que Não Fecha

Segundo o IBGE, 62% dos brasileiros não conseguem pagar uma despesa inesperada de R$ 500. Para esse mesmo brasileiro, ver celebridades comemorando "amizade verdadeira" em iates e resorts não inspira. Irrita.

A distância entre a realidade das amigas milionárias e a população é abissal. Mas as revistas continuam vendendo essas histórias como universais. Como se amizade dependesse de classe social. Depende, sim.

Xuxa tinha razão em forçar a amizade entre as meninas. Criou uma parceria comercial de duas décadas. Bilionária aos seis anos de idade — pelo menos em termos de networking.

O resto do Brasil comemora o Dia do Amigo com churrasco na laje. E não tem nada de errado nisso. É só não confundir: amizades VIP são investimento. As outras são sentimento.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.