Ancelotti ganha mais que finalistas da Copa — e que deputados

Ancelotti ganha mais que finalistas da Copa — e que deputados
Foto: Poder360

Enquanto um deputado federal no Brasil fatura R$ 44 mil por mês — ou R$ 528 mil ao ano —, Carlo Ancelotti vai embolsar cerca de R$ 60 milhões anuais para comandar a seleção italiana. Isso mesmo: mais de 100 vezes o salário de um parlamentar brasileiro.

O italiano, contratado pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) em abril, tornou-se o técnico de seleção mais bem pago do mundo. Seu salário supera até os comandantes que chegaram à final da Copa de 2022: Lionel Scaloni (Argentina) e Didier Deschamps (França).

Os números expõem um abismo. Scaloni recebe cerca de R$ 18 milhões por ano. Deschamps, pouco mais de R$ 20 milhões. Ambos conquistaram títulos mundiais — Deschamps em 2018, Scaloni em 2022. Ancelotti ainda não ganhou nada pela Itália.

O jogo das cifras globais

A contratação de Ancelotti aconteceu depois que a Itália foi eliminada ainda nas oitavas da Eurocopa de 2024. A FIGC decidiu investir pesado no pentacampeão europeu de clubes, que deixou o Real Madrid para aceitar o desafio.

Para efeito de comparação com os ricos do Congresso brasileiro: mesmo um senador — que ganha R$ 44 mil mensais — precisaria trabalhar 114 anos sem gastar um centavo para igualar o que Ancelotti recebe em apenas 12 meses.

E não para por aí. O técnico da seleção brasileira, Dorival Júnior, embolsa cerca de R$ 10 milhões anuais após renovação com a CBF até 2026. Quase seis vezes menos que o italiano.

Quem paga a conta?

A FIGC sustenta o salário milionário através de contratos de patrocínio, direitos de transmissão e receitas da própria seleção italiana. Diferente do modelo brasileiro, onde a CBF é uma entidade privada mas com forte influência política, a federação italiana opera com mais transparência financeira.

Os valores astronômicos no futebol contrastam violentamente com a realidade política. Veja a lista dos técnicos mais bem pagos em seleções:

  • Carlo Ancelotti (Itália): R$ 60 milhões/ano
  • Didier Deschamps (França): R$ 20 milhões/ano
  • Lionel Scaloni (Argentina): R$ 18 milhões/ano
  • Gareth Southgate (ex-Inglaterra): R$ 15 milhões/ano
  • Dorival Júnior (Brasil): R$ 10 milhões/ano

O contexto brasileiro

A renovação de Dorival até 2026 foi anunciada pela CBF em dezembro. O técnico terá a missão de levar o Brasil ao hexa na Copa do Mundo que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.

Mesmo com salário inferior aos europeus, Dorival ganha quase 20 vezes mais que um parlamentar brasileiro. A conta é simples: enquanto deputados e senadores faturam pouco mais de meio milhão anual, o técnico da Seleção leva para casa R$ 10 milhões.

A questão que fica: quanto vale comandar uma seleção de futebol? Para a Itália, Ancelotti vale 60 milhões de razões. Para o Brasil, Dorival custa um sexto disso. E para os ricos do Congresso? Bem, eles jogam outro campeonato — literalmente.

"O futebol move bilhões globalmente. Os salários refletem essa indústria", justificou um dirigente da FIGC em entrevista recente.

Resta saber se Ancelotti vai entregar o título que justifique tamanha bolada. Até lá, é esperar para ver se o investimento italiano compensa.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.