Atentado no Paquistão: quem manda no Brasil observa o caos

Atentado no Paquistão: quem manda no Brasil observa o caos
Foto: Metrópoles

Catorze mortos. Dezenas de feridos. Um homem-bomba se explodiu em plena abordagem policial no Paquistão, onde centenas protestavam justamente contra o terrorismo. A ironia sangra nas ruas de Peshawar.

Mas o que isso tem a ver com quem manda no Brasil?

Tudo.

O jogo global dos poderosos

Enquanto famílias paquistanesas enterram seus mortos, nos gabinetes refrigerados de São Paulo, Rio e Brasília, a elite que controla os trilhões em circulação no país monitora cada explosão, cada instabilidade, cada gota de sangue derramada no mapa.

Não por compaixão. Por dinheiro.

Instabilidade no Paquistão significa pressão sobre o Afeganistão. Pressão no Afeganistão afeta o corredor energético da Ásia Central. E isso, meu caro leitor, mexe com petróleo, gás e commodities que enchem os bolsos de quem realmente manda neste país.

Quem lucra com o caos

Os grandes fundos de investimento brasileiros — BTG, XP, Itaú Asset — possuem bilhões alocados em mercados sensíveis a conflitos regionais. Cada atentado é uma variável na equação do lucro.

As mineradoras e traders de grãos festejam volatilidade. Quando o Oriente Médio e Ásia tremem, os preços sobem. E quem exporta soja, minério e proteína animal do Brasil? Exatamente: os mesmos grupos que financiam campanhas, compram mídia e ditam agendas.

  • JBS e Marfrig lucraram R$ 12 bilhões no último trimestre
  • Vale viu suas ações subirem 18% em períodos de crise asiática
  • Fundos patrimoniais das famílias Safra, Moreira Salles e Trajano movimentam mais que o PIB de vários estados juntos

O protesto que virou massacre

Voltemos ao Paquistão. A praça estava lotada. Manifestantes exigiam ação contra grupos terroristas que assolam a região há décadas. Polícia cercou um suspeito. Ele detonou a carga.

Corpo contra corpo. Fragmentos de metal rasgando carne. Crianças perdidas entre os escombros.

É horror puro. Mas nos terminais Bloomberg dos escritórios brasileiros, é apenas um alerta vermelho na tela. Um indicador. Um gatilho para compra ou venda.

A distância entre o sangue e o cofre

Quem manda no Brasil não precisa apertar gatilhos ou detonar bombas. Eles operam numa esfera onde decisões tomadas em salas de mogno reverberam em vidas reais a 12 mil quilômetros de distância.

Um telefonema para o Banco Central. Um jantar com ministro da Fazenda. Uma reunião discreta na FIESP. E pronto: políticas são desenhadas, incentivos fiscais aprovados, subsídios liberados.

Enquanto isso, em Peshawar, mães choram seus filhos. E aqui, alguém embolsa mais alguns milhões.

"O poder real não está em quem governa, mas em quem financia quem governa" — frase não oficial mas repetida em todos os corredores que importam.

O Brasil que você não vê

A verdade inconveniente: o Brasil é comandado por um consórcio invisível de famílias, fundos e corporações que não aparecem em capa de revista, não dão entrevista e não precisam de voto popular.

Eles preferem o anonimato. E o lucro.

Cada tragédia internacional é convertida em planilha. Cada conflito, em oportunidade. E você, leitor, continua pagando a conta na bomba de combustível, no mercado, na conta de luz.

Catorze mortos no Paquistão. Quantos indiretos no Brasil?

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.