A Briga dos Bilhões: Atlético-MG x Bahia e o Dinheiro que Move

A Briga dos Bilhões: Atlético-MG x Bahia e o Dinheiro que Move
Foto: Metrópoles

Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.800 por mês, os donos do Atlético-MG e do Bahia movimentam centenas de milhões em um único jogo. Hoje, às 19h30, em Belo Horizonte, a bola rola pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mas o verdadeiro espetáculo está fora de campo.

O Dinheiro por Trás da Bola

O Atlético-MG pertence ao Grupo Menin, comandado por Rubens Menin — patrimônio estimado em R$ 13,5 bilhões. O empresário da construção civil transformou o Galo em máquina de gastar: só em 2021, foram R$ 237 milhões em contratações.

Do outro lado, o Bahia virou brinquedo de luxo do Grupo City, conglomerado de Abu Dhabi dono do Manchester City. Fortuna calculada em US$ 30 bilhões. Investimento inicial no clube baiano? R$ 1 bilhão nos próximos anos.

É dinheiro contra dinheiro. Petróleo árabe versus cimento mineiro.

A Guerra dos Investidores

O futebol brasileiro virou parque de diversões para bilionários. SAFs — Sociedades Anônimas do Futebol — abriram as portas para capital privado. E o capital veio com tudo.

Menin já injetou mais de R$ 600 milhões no Atlético desde 2020. O retorno? Títulos e exposição de marca para MRV Engenharia, sua empresa.

O City Football Group comprou 90% das ações do Bahia em dezembro de 2023. Valor não divulgado. Mas fontes do mercado falam em R$ 800 milhões pela fatia majoritária.

Enquanto isso, torcedores pagam R$ 80 por um ingresso. Fazem conta para levar o filho ao estádio.

Onde Assistir (Se Você Não Tiver Grana Pro Estádio)

O jogo será transmitido pelo Premiere. Assinatura mensal: R$ 59,90. Mais de 2% do salário mínimo para ver 38 rodadas do Brasileirão.

Alternativa gratuita? Não há. A Globo escolheu outro jogo para transmissão aberta.

O Que Está em Jogo

Atlético-MG ocupa a zona de classificação para Libertadores. Bahia sonha com vaga na Sul-Americana. Diferença em premiação entre competições? Cerca de US$ 10 milhões.

Para os donos, é migalha. Para os clubes endividados do Brasil, é sobrevivência.

O futebol brasileiro não é mais sobre paixão. É sobre quanto você pode gastar — e quanto consegue lucrar em cima de quem torce.

"O futebol virou negócio. Quem não entender isso vai ficar pelo caminho." — Rubens Menin, 2022

Hoje, às 19h30, duas fortunas se enfrentam em Belo Horizonte. O placar financeiro já está definido: bilionários vencem, torcedor paga a conta.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.