Bilionários da Enel faturam enquanto SP perde R$ 50 mi em cabos

Bilionários da Enel faturam enquanto SP perde R$ 50 mi em cabos
Foto: portalradarenergia.com.br

Enquanto os bilionários do setor elétrico brasileiro consolidam posições no ranking das maiores fortunas do país, São Paulo sangra. Literalmente. A Enel Distribuição São Paulo registrou 4.407 furtos de cabos no primeiro semestre de 2026 — alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O prejuízo direto ultrapassa R$ 50 milhões. Mas o número esconde algo pior: 40% mais clientes ficaram no escuro por causa do crime organizado que arranca, metro por metro, a infraestrutura da maior cidade do país.

O negócio é bilionário — dos dois lados

A Enel é controlada pelo grupo italiano homônimo, que movimenta cifras de dezenas de bilhões de euros. No Brasil, a operação paulista atende 7,4 milhões de clientes. Faturamento anual na casa dos R$ 20 bilhões.

Do outro lado, quadrilhas especializadas transformaram o furto de cabos em indústria. Cobre vale ouro no mercado paralelo. Um único cabo de média tensão pode render R$ 15 mil aos criminosos em ferros-velhos clandestinos.

Quem paga a conta? O consumidor. Sempre.

Ranking dos bilionários e o setor de energia

O ranking dos bilionários brasileiros publicado recentemente mantém magnatas do setor elétrico em posições de destaque. Nomes ligados a geração, transmissão e distribuição de energia figuram entre as 50 maiores fortunas do país.

Enquanto isso, a Enel alega que os furtos elevam custos operacionais. Tradução: na próxima revisão tarifária, a distribuidora vai pedir reajuste. E a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) costuma aprovar.

"O aumento nos furtos impacta diretamente a qualidade do serviço e a segurança da população", informou a Enel em nota oficial.

Segurança da população. Interessante. A mesma população que fica dias sem luz depois que ladrões levam 200 metros de cabo. A mesma que vê a conta subir todo ano.

Os números que a Enel não gosta de mostrar

  • 4.407 ocorrências de furto em seis meses
  • 24 furtos por dia em média
  • 40% mais clientes afetados que em 2025
  • R$ 50 milhões em prejuízos diretos
  • Custo repassado ao consumidor: não divulgado

O jogo de empurra

A Enel responsabiliza a falta de policiamento. O governo paulista aponta falhas na segurança patrimonial da empresa. A Polícia Civil diz que faltam recursos. Enquanto isso, as quadrilhas trabalham.

Funcionários da própria Enel relatam, em off, que muitos furtos acontecem em áreas sem câmeras ou vigilância adequada. Corte de custos. Maximização de lucros. Lógica de mercado.

Os mesmos executivos que cortam gastos com segurança recebem bônus milionários quando as metas de resultado são batidas. E são. Sempre.

Quem realmente perde

Não são os bilionários do setor elétrico que figuram nos rankings de riqueza. Não são os acionistas italianos da Enel. Não são sequer os ladrões, que seguem operando impunemente.

São os 7,4 milhões de clientes. O comerciante que perde mercadoria com geladeira desligada. A dona de casa que fica sem luz três dias. O trabalhador que paga conta cada vez mais cara por serviço cada vez pior.

Enquanto isso, no topo da pirâmide, os números são outros. Lucros recordes. Dividendos gordos. E um lugar garantido no próximo ranking dos bilionários brasileiros.

A energia não chega. Mas o dinheiro sempre flui para cima.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.