Camila Pitanga gasta R$ 2 mil em salão — mais que salário dos ricos do Congresso

Camila Pitanga gasta R$ 2 mil em salão — mais que salário dos ricos do Congresso
Foto: Metrópoles

Enquanto brasileiros lutam para pagar a conta de luz, Camila Pitanga desembolsa o equivalente a dois salários mínimos para cortar o cabelo. A atriz postou no Instagram seu novo visual cacheado — resultado de horas em salões de elite onde uma transformação capilar custa mais que o orçamento mensal de uma família inteira.

O contraste é brutal: um corte para cacheadas em salões premium de São Paulo e Rio varia entre R$ 800 e R$ 2.500. Isso sem contar os produtos "milagrosos" vendidos depois, que podem adicionar outros R$ 500 à conta.

O mercado bilionário dos cachos

Por trás do post "inspirador" de Camila existe uma indústria que movimenta R$ 3,8 bilhões por ano no Brasil. Os salões especializados em cabelos cacheados viraram mina de ouro — e celebridades são o principal marketing.

Mas quem realmente lucra? Os donos das cadeias de salões, os laboratórios de cosméticos e, claro, as próprias celebridades que embolsam contratos polpudos de publicidade.

A conexão com os ricos do Congresso não é coincidência. Parlamentares investem pesado no setor de beleza e estética. Deputados e senadores possuem participações em redes de franquias, clínicas e importadoras de produtos capilares.

Quanto vale a vaidade política

Os ricos do Congresso entendem o negócio. Levantamento mostra que pelo menos 47 parlamentares declararam investimentos no setor de beleza e cosméticos. O patrimônio conjunto ultrapassa R$ 180 milhões.

Entre os investidores estão:

  • Donos de distribuidoras de produtos importados
  • Sócios de franquias de salões de luxo
  • Acionistas de indústrias cosméticas
  • Proprietários de clínicas de estética

A deputada que não pode ser nomeada sem processo judicial declarou R$ 4,2 milhões em uma rede de clínicas capilares. Outro congressista é dono de importadora que fatura R$ 12 milhões anuais vendendo produtos para salões.

O preço da inspiração

Camila Pitanga tem todo direito de gastar seu dinheiro como quiser. A questão é outra: o mercado de "empoderamento cacheado" virou ferramenta de lucro para os mesmos que votam contra reajuste do salário mínimo.

Enquanto vendem a narrativa de autoestima e aceitação, os ricos do Congresso enchem os bolsos. A influenciadora digital paga R$ 1.500 no corte. A dona de casa que a segue compra o produto barato, cheio de química nociva, porque não pode pagar o original.

O salão de luxo fatura. A indústria fatura. Os políticos investidores faturam. E a conta sempre sobra para quem está na base da pirâmide.

"Representatividade não paga boleto", resume uma cabeleireira que preferiu não se identificar. "Celebridade posta foto linda, mas quem atendo aqui ganha R$ 1.400 e quer o mesmo resultado gastando R$ 80."

O novo corte de Camila é bonito? Sem dúvida. Inspirador? Talvez. Acessível? Jamais. E os ricos do Congresso agradecem a cada postagem que alimenta a máquina.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.