Celina Leão investe em internação humanizada: dinastia política?

Celina Leão investe em internação humanizada: dinastia política?
Foto: Metrópoles

Quarenta e quatro pessoas. Esse é o número de moradores de rua que aceitaram deixar as calçadas de Brasília para entrar no programa de "internação humanizada" da governadora Celina Leão (PP). Enquanto isso, o Distrito Federal registra 185 mil milionários.

O contraste é brutal. De um lado, quem dorme ao relento. Do outro, quem comanda a máquina pública de uma das regiões mais ricas do país.

O sobrenome que abre portas

Celina não é uma governadora qualquer. Ela carrega no currículo o DNA das dinastias políticas brasileiras que dominam o poder há décadas. O sobrenome Leão circula pelos corredores do Palácio do Buriti desde os tempos do marido, o ex-governador Ibaneis Rocha.

Agora, ela comanda sozinha. E escolheu como primeira grande bandeira tirar pessoas da rua — com métodos que dividem opiniões.

Internação humanizada ou higienização social?

O protocolo de acolhimento promete dignidade. Mas críticos apontam: quanto custa cada vaga? Quem lucra com os contratos de atendimento? E por que apenas 44 pessoas em uma capital com milhares vivendo nas ruas?

As perguntas ficam sem resposta. O que se sabe é que programas sociais movimentam milhões em recursos públicos. E onde há dinheiro público, há interesse privado.

Celina defende o programa como "humanizado". A oposição chama de "recolhimento forçado". O embate é simples: quem tem direito de decidir o destino de quem não tem teto?

A máquina do poder

As dinastias políticas brasileiras operam por um código próprio. Casamentos estratégicos. Alianças familiares. Sucessões planejadas como empresas bilionárias.

Celina entrou no jogo por tabela — vice que virou titular. Mas não se engane: ninguém chega ao Palácio do Buriti por acaso. Cada passo é calculado. Cada programa social, uma peça no tabuleiro eleitoral.

O Progressistas, partido da governadora, controla prefeituras e governos pelo Brasil inteiro. É uma máquina bem azeitada, alimentada por emendas parlamentares e convênios federais que chegam na casa dos bilhões.

Quanto vale um morador de rua?

Essa é a pergunta que ninguém quer fazer em voz alta. Mas os números não mentem. Programas de assistência social movimentam fortunas. Abrigos, clínicas, equipes médicas — tudo sai do cofre público.

Não há nada de errado nisso, em tese. O problema começa quando os contratos vão sempre para os mesmos grupos. Quando a transparência some. Quando 44 vagas viram manchete, mas os milhões investidos não aparecem no release oficial.

Celina anunciou o número com orgulho. Mas esqueceu de dizer quanto cada pessoa internada custa aos contribuintes. Ou quais empresas foram contratadas para prestar o serviço.

O futuro da dinastia

As dinastias políticas brasileiras se renovam ou morrem. Celina sabe disso. Por isso aposta em pautas que rendem votos: segurança, limpeza urbana, assistência social.

São bandeiras vendáveis. Programas que cabem em 30 segundos de propaganda eleitoral. E que mantêm o sobrenome no poder por mais um mandato.

Enquanto isso, 44 pessoas saíram das ruas. Outras milhares continuam lá. E o ciclo do poder segue girando, sempre alimentado pelos mesmos nomes, as mesmas famílias, os mesmos interesses.

Brasília mudou. As dinastias, não.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.