Ciro ignora Flávio e apoia candidatos fora do radar offshore

Ciro ignora Flávio e apoia candidatos fora do radar offshore
Foto: redir.folha.com.br

Enquanto fortunas políticas atravessam fronteiras em estruturas offshore, Ciro Gomes preferiu manter os pés no chão do poder brasileiro. O ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB soltou neste sábado (18) os nomes que considera para presidente em 2026: Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro? Esse não passou nem perto da lista.

A declaração expõe um racha que vale bilhões em capital político. De um lado, o clã Bolsonaro, com Flávio como nome natural da direita. Do outro, uma aliança improvável entre o goiano Caiado — governador com orçamento de R$ 60 bilhões em 2026 — e o azarão Renan Santos, do Missão, partido nanico mas com ambições gordas.

O silêncio que grita dinheiro

Ignorar Flávio Bolsonaro não é apenas política. É estratégia financeira. O filho 01 do ex-presidente carrega na bagagem investigações sobre movimentações atípicas, rachadinha e vínculos com milícias. Para o PSDB de Ciro — que tenta reconstruir pontes com o centro — apoiar Flávio seria jogar no lixo décadas de imagem institucional.

Caiado, por sua vez, representa o agronegócio com verniz civilizado. Rico, poderoso, dono de fortuna estimada em dezenas de milhões. Seu governo em Goiás movimenta contratos públicos que fazem os olhos brilharem. Renan Santos é a carta coringa: jovem, sem rabo preso, sem offshore conhecida — até agora.

A matemática do poder em 2026

O PSDB ainda não bateu o martelo sobre quem apoiar. Mas Ciro já deixou claro: Bolsonaro está fora do jogo. A movimentação revela o tabuleiro real das eleições presidenciais:

  • Caiado: R$ 60 bi de orçamento estadual, base no agronegócio, dinheiro empresarial garantido
  • Renan Santos: partido pequeno, aposta arriscada, potencial de crescimento entre evangélicos
  • Flávio Bolsonaro: herdeiro político com passivo jurídico pesado, base fiel mas recursos sob suspeita

A exclusão de Flávio não é acidental. É calculada. Em tempos de offshore políticos no Brasil sob escrutínio internacional, apostar em nomes limpos — ou ao menos sem sujeira exposta — virou regra de sobrevivência.

Ceará como trampolim bilionário

Ciro disputa o governo do Ceará, estado com orçamento de R$ 30 bilhões. Vencer lá significa controlar uma máquina pública poderosa. Mais importante: significa ter palanque próprio para 2030, sem depender de favores presidenciais.

A jogada é clara. Apoiar Caiado ou Renan agora é investimento. Se um deles vencer em 2026, Ciro terá crédito político para trocar por ministérios, emendas parlamentares, obras federais no Ceará. Tudo isso vale ouro — literalmente.

"O PSDB ainda não definiu", disse Ciro. Mas seus sinais já definiram tudo.

Enquanto investigações sobre offshore de políticos brasileiros avançam em tribunais e na mídia internacional, escolher aliados virou exercício de due diligence. Ciro sabe: em 2026, vence quem tiver fichas limpas na Receita Federal e no Coaf. Ou quem esconder melhor.

Flávio Bolsonaro ficou de fora não por ideologia. Ficou por contabilidade política. E no Brasil de hoje, isso vale mais que qualquer discurso.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.