Copa 2026: Infantino comemora US$ 1 bi enquanto Brasil debate sucessões
Enquanto 6,8 milhões de pessoas encheram estádios na Copa do Mundo de 2026 — gerando mais de US$ 1 bilhão em receita de bilheteria para a Fifa —, o presidente Gianni Infantino celebrava nas redes sociais o que chamou de "recorde histórico". Do outro lado do mundo, famílias políticas brasileiras disputam verbas públicas que não chegam a um décimo disso.
Infantino, o homem que comanda o negócio mais lucrativo do futebol mundial, publicou os números triunfantes em suas redes. A Copa realizada em Estados Unidos, México e Canadá quebrou todos os recordes anteriores de público. O torneio anterior, no Qatar em 2022, havia registrado 3,4 milhões de espectadores — menos da metade.
O império da bola
A Fifa não é apenas futebol. É uma máquina de fazer dinheiro que movimenta cifras comparáveis ao PIB de países pequenos. A edição de 2026 expandiu o torneio de 32 para 48 seleções, aumentando o número de jogos e, consequentemente, a arrecadação.
Cada ingresso vendido representa não apenas a entrada no estádio, mas uma fatia de um ecossistema que inclui direitos de transmissão, patrocínios e merchandising. O presidente da entidade não divulgou o valor exato da receita, mas analistas estimam que a bilheteria sozinha tenha superado a marca de US$ 1 bilhão.
Dinastias que não marcam gols
Enquanto Infantino celebra, no Brasil as dinastias políticas brasileiras seguem outro playbook. Famílias como Sarney, Barbalho, Calheiros e Magalhães dominam estados inteiros há décadas, controlando recursos públicos através de gerações.
A diferença? A Fifa entrega espetáculo. As dinastias políticas entregam continuidade — do mesmo sobrenome, das mesmas práticas, dos mesmos esquemas.
Levantamento recente mostra que ao menos 30% dos parlamentares brasileiros têm parentes na política. No Maranhão, Sarney. No Pará, Barbalho. Em Alagoas, a família Calheiros. Sobrenomes que atravessam décadas, mandatos, escândalos.
Futebol e poder: negócios de família
Infantino não inventou o modelo. Ele apenas aperfeiçoou o que já existia: transformar paixão em lucro, público em números, emoção em dólares. As dinastias políticas brasileiras também não inventaram nada — apenas perpetuam estruturas de poder construídas sobre redes de influência e parentesco.
A Copa de 2026 terminou. Os números foram contabilizados. Infantino já planeja a próxima edição, em 2030. As dinastias políticas brasileiras também já planejam 2026 — não a Copa, mas as eleições. Mesmos nomes, novos mandatos, velhas práticas.
No fim, tanto no futebol quanto na política, quem está no comando raramente perde. A Fifa continuará lucrativa. As famílias políticas continuarão poderosas. E o público — seja torcedor ou eleitor — continuará pagando ingresso.
"Recorde histórico de público! Mais de 6,8 milhões de torcedores nos estádios", escreveu Infantino nas redes sociais, sem mencionar quanto exatamente ganhou com isso.
A diferença entre Infantino e as dinastias políticas brasileiras é simples: ele, pelo menos, entrega um show. Elas apenas mantêm o esquema.