Copa com 64 seleções: a fortuna que move o futebol mundial

Copa com 64 seleções: a fortuna que move o futebol mundial
Foto: Metrópoles

Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.640 por mês, a Fifa planeja uma Copa do Mundo que pode injetar US$ 11 bilhões em sua conta bancária. Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, soltou no Twitter o que deveria ser segredo de Estado: a Copa de 2030 terá 64 seleções.

A informação vazou. E com ela, o tamanho do cofre.

O Tweet Bilionário

Domínguez não é qualquer cartola. O paraguaio comanda a Confederação Sul-Americana de Futebol desde 2016 e tem assento cativo nas reuniões que definem o futuro — e o faturamento — do esporte mais lucrativo do planeta.

No Twitter, ele "confirmou" o que a Fifa ainda não anunciou oficialmente: em 2030, 64 países vão disputar o Mundial. Hoje são 48. Mais seleções significam mais jogos. Mais jogos significam mais transmissões. Mais transmissões significam mais dinheiro.

Muito mais dinheiro.

A Máquina de Imprimir Dólares

A Copa do Qatar, em 2022, rendeu US$ 7,5 bilhões à Fifa. Com 32 seleções. A edição de 2026, com 48 países, deve ultrapassar US$ 9 bilhões. Agora, com 64 equipes, analistas do mercado esportivo projetam receitas acima de US$ 11 bilhões.

Para efeito de comparação: o orçamento anual da saúde pública brasileira é de aproximadamente US$ 27 bilhões. Uma Copa do Mundo vale quase metade disso.

Quem ganha com essa expansão? A Fifa, evidentemente. Mas também as confederações continentais — caso da Conmebol de Domínguez —, que recebem fatias generosas da arrecadação.

O Poder Invisível

A Conmebol não divulga quanto seu presidente ganha. Mas a entidade movimentou US$ 527 milhões em 2022. Domínguez controla esse fluxo.

A Fifa, por sua vez, é presidida por Gianni Infantino, que recebeu US$ 3,9 milhões em salário e benefícios no último ano fiscal. Não é patrimônio de senador brasileiro, mas está longe da realidade de quem paga ingresso.

A expansão da Copa não é sobre futebol. É sobre contratos de transmissão. Sobre direitos de imagem. Sobre hotéis, estádios, patrocínios.

É sobre dinheiro.

64 Times, Quantos Bilhões?

Com 64 seleções, a Copa de 2030 terá:

  • 128 jogos na fase de grupos (contra 48 na Copa de 32 seleções)
  • Pelo menos 80 dias de competição
  • Seis países-sede confirmados: Argentina, Uruguai, Paraguai, Espanha, Portugal e Marrocos
  • Potencial de audiência superior a 6 bilhões de pessoas

Cada jogo é uma oportunidade de venda. Cada venda, uma comissão. Cada comissão, um pedaço do bolo que vai para Zurique.

O Timing Suspeito

Por que Domínguez antecipou o anúncio? A Fifa ainda não confirmou oficialmente a mudança. Fontes do mercado esportivo especulam que a antecipação pode estar ligada a negociações de bastidores sobre a distribuição de vagas entre confederações.

A América do Sul quer mais países na Copa. A Europa também. África, Ásia e Concacaf não ficam atrás. Cada vaga extra vale milhões em investimentos e prestígio político.

Domínguez pode ter jogado no Twitter para pressionar a Fifa. Ou para testar a reação pública. Ou simplesmente porque quis.

Quando se tem poder, pode-se dar esse luxo.

O Torcedor Paga a Conta

No fim, quem financia essa máquina são os patrocinadores — que repassam o custo ao consumidor — e as emissoras — que cobram mais caro dos anunciantes. O círculo se fecha no bolso de quem compra cerveja, carro e televisão.

A Copa de 2030 será a maior da história. Também será a mais cara. Para assistir, para viajar, para torcer.

Alejandro Domínguez já sabe disso. E já contou quanto vai ganhar.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.