Copa do Mundo: US$ 50 milhões pro campeão enquanto Brasil amarga

Copa do Mundo: US$ 50 milhões pro campeão enquanto Brasil amarga
Foto: Poder360

Cinquenta milhões de dólares. É o que Argentina ou Espanha vai embolsar domingo (19.jul) na final da Copa do Mundo, em Nova Jersey. Enquanto isso, o Brasil — pentacampeão mundial — ficou pelo caminho. Outra vez.

A pergunta que ninguém quer fazer: quem manda no futebol brasileiro deixou a galinha dos ovos de ouro virar frango assado?

O prêmio que o Brasil não vai pegar

A FIFA distribui US$ 50 milhões para o campeão mundial. É dinheiro suficiente para construir 100 campos de futebol padrão FIFA no interior do Brasil. Ou pagar o salário mínimo de 50 mil brasileiros por um ano inteiro.

Mas quem vai levantar a taça não fala português.

Argentina e Espanha chegaram à decisão com elencos milionários, estrutura de ponta e dirigentes que sabem a diferença entre gestão e peleguismo. Do lado de cá do Atlântico, a CBF — Confederação Brasileira de Futebol — continua sendo um clube privado com CNPJ público.

Quem lucra quando o Brasil perde

Ednaldo Rodrigues comanda a CBF desde março de 2022. Antes dele, Rogério Caboclo. Antes, Marco Polo Del Nero. Uma dinastia de cartolas que transformou a entidade em feudo particular.

A receita anual da CBF ultrapassa R$ 1 bilhão. Contratos com Nike, Ambev, Itaú. Patrocínios gordos que não se traduzem em títulos — mas em mordomias para a diretoria.

Enquanto Argentina investe em categorias de base e profissionaliza gestão, a CBF gasta com jatinhos, hotéis cinco estrelas e salários estratosféricos para uma cúpula que entrega vexame atrás de vexame.

Os números que doem

  • US$ 50 milhões: prêmio para o campeão mundial
  • US$ 25 milhões: prêmio para o vice-campeão
  • Zero: quantas Copas o Brasil ganhou desde 2002
  • R$ 1 bilhão+: receita anual da CBF

A conta não fecha. Nunca fechou.

O cartel do futebol

Quem manda no futebol brasileiro não é técnico. Não é jogador. São os presidentes das federações estaduais que elegem o presidente da CBF. Um sistema fechado, blindado, imune a resultados ruins.

Pode perder Copa. Pode passar vergonha. O esquema continua intacto.

Clubes brasileiros faturam milhões com transmissões e patrocínios. A Seleção tem a camisa mais vendida do planeta. Mas na hora do vamos ver, quem levanta taça são Argentina e Espanha.

"O futebol brasileiro é rico. Os brasileiros que amam futebol é que são pobres de títulos."

Domingo é dia de Argentina ou Espanha

A final será em Nova Jersey, Estados Unidos. Estádio lotado. Bilheteria esgotada. Transmissão para 180 países.

E o Brasil? Assistindo da arquibancada.

Os US$ 50 milhões vão para Buenos Aires ou Madrid. A frustração fica em São Paulo, Rio, Salvador, Recife.

Enquanto os cartolas da CBF continuarem mandando mais que os técnicos, prepare-se: esse roteiro vai se repetir. Copa após Copa. Geração após geração.

Quem manda no Brasil do futebol não quer saber de título. Quer saber de manter o poder. E nisso, infelizmente, são campeões mundiais.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.