Copa Feminina 2027: quanto o Brasil vai gastar enquanto ricos do Congresso lucram
Enquanto a pequena Manuela Baère, de 6 anos, sonha em ver "as meninas jogarem" na Copa do Mundo Feminina de 2027, alguém precisa assinar o cheque. E esse alguém somos nós — os contribuintes brasileiros que bancam tanto o sonho das crianças quanto os salários gordos dos parlamentares que aprovaram trazer o torneio para cá.
A Copa do Mundo Feminina chega ao Brasil em 2027 pela primeira vez na história. Serão 32 seleções, estádios lotados e uma conta que ninguém ainda teve coragem de apresentar por inteiro.
O que está em jogo (além das bolas)
A FIFA confirmou o formato expandido — saltamos de 24 para 32 seleções. Mais times significam mais jogos, mais estádios, mais estrutura, mais dinheiro público.
Lembremos: a Copa de 2014 custou R$ 30 bilhões aos cofres brasileiros. Estádios viraram elefantes brancos. Hospitais continuaram sem leitos. Mas os ricos do Congresso que aprovaram os gastos? Esses seguem com salários de R$ 33,7 mil mensais, mais verbas indenizatórias que ultrapassam R$ 100 mil por ano.
Agora repete-se o roteiro. Nova Copa, novas promessas, novo endividamento.
Quem lucra com a bola rolando
Não se trata de ser contra o futebol feminino. Sofia Seabra, de 13 anos, representa milhares de meninas que finalmente terão ídolas em campo. Isso é legítimo. Isso é necessário.
O problema são os intermediários.
Empreiteiras que vencem licitações. Políticos que emplacam obras em seus redutos eleitorais. Empresários do setor hoteleiro e de eventos que multiplicam patrimônios enquanto o trabalhador comum paga mais impostos para sustentar a infraestrutura.
A FIFA, como sempre, leva sua parte sem pagar um centavo de imposto no Brasil. É a regra do jogo — literalmente.
O Congresso decide, o povo paga
Quem aprova os orçamentos para megaeventos esportivos? Os mesmos parlamentares que:
- Recebem auxílio-moradia de R$ 4,6 mil mesmo tendo imóveis próprios em Brasília
- Usam jatinhos da FAB para compromissos particulares
- Votam seus próprios aumentos em plena crise econômica
- Mantêm foro privilegiado e aposentadorias vitalícias
São eles, os ricos do Congresso, que decidem se o Brasil tem dinheiro para sediar Copas mas não para construir creches.
A torcida existe, a conta também
Manuela quer ver as meninas jogarem. Sofia busca inspiração nas atletas. Milhões de brasileiras merecem essa representatividade.
Mas merecem também que alguém pergunte: quanto custa? Quem paga? Quem lucra?
A Copa Feminina de 2027 acontecerá. As meninas vibrarão. As atletas suarão. E quando os holofotes se apagarem, restarão os estádios vazios, as dívidas municipais e os mesmos políticos ricos gastando dinheiro público em suas próximas campanhas.
O futebol feminino merece investimento. As crianças merecem sonhar. Mas o povo brasileiro merece transparência sobre quem realmente lucra quando a bola rola com dinheiro público.