Coronéis da PM aparecem em investigação de banco do PCC

Coronéis da PM aparecem em investigação de banco do PCC
Foto: Metrópoles

Enquanto a maioria dos brasileiros luta para pagar as contas no fim do mês, um banco clandestino lavava milhões para o Primeiro Comando da Capital. E agora, coronéis da Polícia Militar de São Paulo aparecem citados na investigação.

O Ministério Público estadual deflagrou nesta terça-feira (21/7) uma operação contra a instituição financeira ilegal. Os oficiais da PM não são alvos diretos da ação, mas seus nomes constam nos documentos do inquérito.

O esquema milionário

A operação mira um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro montado para o PCC. O banco clandestino operava como qualquer instituição financeira — só que completamente fora do radar das autoridades.

Movimentações suspeitas. Contas fantasmas. Transferências milionárias. O roteiro clássico de quem transforma dinheiro sujo em limpo.

Por que coronéis aparecem?

A citação de oficiais da PM levanta questões incômodas. Qual a relação deles com o esquema? Eram clientes? Informantes? Parceiros?

O MP não detalhou o papel dos coronéis. Oficialmente, eles não respondem por nada — pelo menos por enquanto. Mas numa investigação desse porte, nenhum nome aparece por acaso.

Poder e dinheiro na mesma equação

São Paulo tem 190 coronéis na ativa. Cada um comanda milhares de policiais. Ganham salários que passam dos R$ 20 mil. Têm poder de decisão sobre operações, territórios, recursos.

Quando esse poder cruza com investigações sobre o crime organizado mais poderoso do país, acendem-se todos os alertas.

O PCC movimenta bilhões anualmente. Controla o tráfico em presídios e nas ruas. Tem ramificações internacionais. E precisa lavar esse dinheiro todo em algum lugar.

O banco que não existe

Bancos clandestinos são peças-chave no ecossistema criminoso. Eles oferecem:

  • Câmbio ilegal de moeda
  • Transferências sem rastreamento
  • Investimentos para lavar recursos
  • Crédito sem burocracia

Funcionam como qualquer banco. Só que invisíveis para o Banco Central, a Receita Federal e o Coaf.

A operação

O MPSP não revelou quantas pessoas foram presas ou quanto dinheiro estava em jogo. Sigilo típico de investigações em andamento.

Mas o simples fato de coronéis serem citados já indica o tamanho da encrenca. Não se menciona oficiais desse nível em inquéritos pequenos.

A Polícia Militar ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Também não há informação se os coronéis citados foram afastados ou estão sob investigação interna.

O que vem agora

Investigações contra o PCC costumam se desdobrar por anos. Uma ponta puxa a outra. Um nome leva a dez.

Se os coronéis realmente têm alguma participação no esquema, isso representaria um dos maiores escândalos da corporação paulista nos últimos anos.

Se são apenas citações periféricas, seus nomes ainda assim ficarão associados a uma operação contra lavagem de dinheiro da facção mais poderosa do Brasil.

No jogo do poder e dinheiro, aparecer na lista já é perder metade da partida.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.