Dinastias políticas brasileiras: Dudu Bolsonaro e o plano B

Dinastias políticas brasileiras: Dudu Bolsonaro e o plano B
Foto: Metrópoles

Eduardo Bolsonaro, 40 anos, deputado federal com salário de R$ 44 mil mensais, acaba de garantir residência permanente nos Estados Unidos. Green card no bolso. Plano B pronto.

Enquanto isso, Javier Milei desembarca no Brasil para estrelar a convenção do PL. Um presidente estrangeiro virando garoto-propaganda de partido brasileiro. Inédito. Constrangedor.

O Império Bolsonaro Faz as Malas

Dudu não é o único. A família mantém propriedades na Flórida, conexões com a extrema-direita americana, e agora, documentos que garantem saída de emergência. As dinastias políticas brasileiras sempre tiveram seus refúgios — Miami para uns, Portugal para outros.

A diferença? Desta vez é explícito. Sem disfarce.

O green card de Eduardo não surgiu do nada. Processo iniciado em 2022, ano eleitoral. Quando as pesquisas começaram a apertar para o pai, o filho tratou de garantir alternativas. Pragmatismo puro.

Milei: O Garoto-Propaganda Importado

Javier Milei chega ao Brasil com mandato de presidente da Argentina. Não vem em missão diplomática. Vem fazer palanque para Valdemar Costa Neto, um condenado por corrupção no Mensalão que comanda o PL.

O custo político? Zero para Milei. Ele joga para a torcida dele, não para eleitores brasileiros.

Para o bolsonarismo, é aposta arriscada. Milei derrubou a economia argentina — inflação galopante, pobreza em alta. Mas virou ídolo da direita internacional. O PL quer importar o carisma, rezando para a realidade econômica não vir junto na bagagem.

Dinastias em Campo Aberto

As dinastias políticas brasileiras operam há décadas. Sarney, Barbalho, Calheiros, Collor. Famílias que tratam mandatos como herança. Os Bolsonaro apenas modernizaram o modelo: adicionaram redes sociais, milícias digitais e passaporte americano.

Flávio no Senado. Carlos na Câmara Municipal do Rio. Eduardo na Câmara Federal. Jair no olho do furacão jurídico. A distribuição de riscos está feita.

Se o Brasil apertar, tem Miami. Se Miami cansar, tem alianças internacionais. Milei hoje, Trump amanhã, Orbán depois. A franquia vai se expandindo.

O Xadrez do Dinheiro

Green card custa. Advogados especializados cobram entre US$ 50 mil e US$ 100 mil pelo processo. De onde vem o dinheiro? Salário de deputado não explica imóveis na Flórida, processos de imigração, viagens constantes.

As empresas de consultoria, os contratos de palestras, as doações de campanha — tudo legal no papel. Mas o patrimônio cresce enquanto o eleitorado empobrece.

Milei chega de jatinho. Dudu volta para casa com documento americano. O cidadão comum assiste pela TV, pagando a conta da gasolina a R$ 6.

Time Que Está Perdendo

O bolsonarismo está inelegível, investigado, fragmentado. Mas recusa-se a mudar de rota. Aposta em radicalização, importa extremistas estrangeiros, prepara exílios dourados.

As dinastias políticas brasileiras sempre sobreviveram. Atravessaram redemocratização, impeachments, Lava Jato. Desta vez, garantem passaportes internacionais. Só por precaução.

Milei faz discurso. Dudu exibe documento. A mensagem é clara: há plano A e plano B. Para eles, sempre há saída.

Para quem fica, resta torcer que o time perdedor não leve o país junto na queda.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.