Dinastias políticas brasileiras: PL monta chapa Bolsonaro no DF
Enquanto 33 milhões de brasileiros passam fome, a família Bolsonaro amplia seu império político. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram oficializadas candidatas ao Senado pelo PL em convenção no Distrito Federal neste domingo. Quem comandou a festa? Flávio Bolsonaro, o senador-filho que sabe como ninguém o valor de uma vaga no Congresso.
O encontro selou ainda o apoio do partido à governadora Celina Leão, completando um tabuleiro onde sobrenomes valem mais que projetos. Três mulheres no palanque, um homem puxando os cordéis — e bilhões em jogo.
O negócio da família
Michelle não é novata no jogo. Ex-primeira-dama, ela carrega o sobrenome mais valioso do bolsonarismo. Seu salário como senadora? R$ 33,7 mil mensais, fora os R$ 40 mil de cota parlamentar. Multiplicado por oito anos de mandato, estamos falando de R$ 7 milhões só em vencimentos.
Bia Kicis disputa a segunda vaga. Deputada federal desde 2019, ela foi uma das vozes mais estridentes na defesa do ex-presidente durante os anos turbulentos do governo. Agora quer subir de patamar — literalmente. O Senado paga mais e expõe menos.
Flávio conhece bem o caminho. Ele mesmo migrou da Assembleia Legislativa do Rio para o Senado Federal em 2019. Coincidentemente, no mesmo ano em que o caso das rachadinhas começou a apertar. No Senado, as investigações parecem andar em câmera lenta.
Quanto vale um sobrenome?
A matemática é simples. Cada cadeira no Senado representa:
- R$ 33,7 mil em subsídio mensal
- R$ 40 mil em cota para exercício da atividade parlamentar
- Verba de gabinete para contratar até 22 assessores
- Imunidade parlamentar
- Oito anos de mandato garantido
Some as duas vagas que o PL almeja no DF e chegamos a R$ 14 milhões apenas em salários. Isso sem contar as cotas, os gabinetes, as mordomias. E principalmente: sem contar o poder de influência sobre orçamentos bilionários.
Dinastias políticas brasileiras: tradição de décadas
Os Bolsonaro não inventaram a roda. Sarney, Collor, Garotinho, ACM Neto — dinastias políticas brasileiras são regra, não exceção. A diferença está na velocidade. Enquanto clãs tradicionais demoraram gerações para consolidar poder, os Bolsonaro querem tudo agora.
Jair perdeu o poder em 2022. Está inelegível até 2030. Mas o sobrenome continua competitivo. Flávio no Senado, Eduardo na Câmara, Carlos na Câmara do Rio — e agora Michelle buscando sua própria cadeira no Congresso.
É política como negócio de família. Literalmente.
Celina Leão entra na conta
O apoio à governadora não é caridade. Celina assumiu o cargo em abril de 2023 após o afastamento de Ibaneis Rocha pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Ela representa continuidade — e continuidade significa alianças preservadas, orçamento compartilhado, palanque conjunto.
O PL não apoia. O PL investe. E espera retorno.
Resta saber se o eleitor do DF está disposto a transformar o Senado em escritório de família. Ou se, desta vez, vai cobrar a conta.