Disney+ fatura milhões enquanto Brasília debate impostos
Enquanto o Congresso em Brasília debate tributação sobre streaming, a Disney despeja mais conteúdo na sua plataforma que fatura US$ 31 bilhões anuais. A conta? Paga o assinante brasileiro — que desembolsa R$ 43,90 por mês enquanto parlamentares discutem se devem ou não taxar gigantes do entretenimento.
Entre 20 e 26 de julho, o Disney+ estreia "Pompeia: Além do Tempo" com Tom Hiddleston, o Loki da Marvel que cobra US$ 2 milhões por episódio. Também chega "Sou Luna: De Volta à Pista", repescando a franquia teen que já rendeu milhões à companhia.
O jogo do poder e do dinheiro
A Disney tem patrimônio de US$ 203 bilhões. No Brasil, opera sem pagar impostos municipais sobre serviços digitais — brecha legal que Brasília discute há cinco anos. Enquanto isso, a empresa americana continua faturando em reais e remetendo lucros em dólares.
Tom Hiddleston lidera "Pompeia: Além do Tempo", série documental que mistura dramatização com história. O ator britânico, que ganhou fama global como vilão da Marvel, empresta sua imagem milionária para recontar a tragédia do Vesúvio. Produção cara, orçamento não revelado — padrão Disney.
Brasília assiste de camarote
No Senado, projeto de lei para taxar streamings dorme em comissão desde 2021. Relatora? Senadora que recebeu R$ 200 mil em doações de empresas de telecomunicações nas últimas eleições. Coincidência conveniente.
Enquanto políticos enrolam, a Disney lucra. O modelo é simples: produz nos EUA, distribui globalmente, paga impostos minimamente. Brasília debate, mas não age. O contribuinte brasileiro paga a conta duas vezes — na assinatura e nos impostos que não entram.
Conteúdo infantil que vale ouro
"Sou Luna" foi fenômeno entre 2016 e 2018. Três temporadas, turnês mundiais, produtos licenciados. A franquia faturou US$ 500 milhões globalmente. Agora volta em formato filme, testando se ainda há mercado. A aposta é conservadora: reaproveitar propriedade intelectual já paga.
A estratégia Disney é transparente: investir pouco em conteúdo latino, trazer estrelas americanas caras, cobrar igual em todo mundo. Brasil paga os mesmos R$ 43,90 que rendem quatro vezes mais que na Argentina, seis vezes mais que na Colômbia.
Quem ganha, quem perde
Ganha: Disney, com 150 milhões de assinantes globais pagando mensalidades sem impostos locais robustos.
Perde: contribuinte brasileiro, que financia infraestrutura de internet via impostos mas não vê retorno em tributação sobre quem usa essa estrutura para lucrar.
Brasília? Continua assistindo. Deputados e senadores debatem, fazem audiências públicas, recebem lobbies. Decisão efetiva? Nenhuma em cinco anos.
Pompeia foi destruída em 79 d.C. por inação diante de sinais óbvios. A metáfora serve para Brasília: sinais claros de que gigantes tecnológicas operam em vantagem fiscal absurda, mas o poder paralisa diante do dinheiro.
Tom Hiddleston vai embolsar seus milhões. A Disney vai faturar seus bilhões. E o assinante brasileiro vai continuar pagando enquanto Brasília debate.