Dólar cai enquanto políticos mais ricos do Brasil lucram
Enquanto o brasileiro médio contava moedas no supermercado nesta terça-feira, o dólar despencou para R$ 5,08. Uma notícia boa? Depende de qual lado do balcão você está.
A moeda americana caiu 0,69%, fechando a R$ 5,0862. Estranhamente, isso aconteceu enquanto lá fora o dólar subia. O Brasil nadou contra a corrente. Mas antes de comemorar, vale perguntar: quem realmente lucra com esse jogo?
O cassino da Bolsa
O Ibovespa, termômetro dos ricos, mal se mexeu. Subiu míseros 0,04%, parando nos 127.147 pontos. Petrobras segurou as pontas com alta de 1,42%. Vale, a gigante da mineração, puxou pra baixo com queda de 1,01%.
Tradução: o dinheiro grande continua girando no mesmo círculo fechado de sempre.
A Petrobras agradece ao petróleo, que subiu no mercado internacional. Barril de Brent avançou 1,56%. Mais dinheiro no bolso de quem já tem muito.
Quem está por trás dos números
Os políticos mais ricos do Brasil adoram um dia como esse. Com contas no exterior, aplicações diversificadas e acesso privilegiado a informações, eles surfam nas ondas cambiais enquanto o povo afoga.
Deputados, senadores e aliados empresariais mantêm patrimônios declarados que ultrapassam dezenas de milhões. Alguns chegam a centenas de milhões. E isso é só o que declaram.
Quando o dólar cai, produtos importados ficam mais baratos. Mas quem compra iPhone e whisky escocês? Não é o trabalhador que ganha salário mínimo.
O jogo do câmbio
Analistas apontam três fatores para a queda do dólar hoje:
- Fluxo de capital estrangeiro entrando no Brasil
- Expectativa de juros altos por mais tempo
- Ajustes técnicos do mercado
Bonito no papel. Na prática, significa que investidores internacionais estão apostando fichas aqui. Enquanto isso, o brasileiro comum paga 13,75% ao ano de juros básicos — a Selic que alimenta rentistas e sufoca empreendedores.
Vale a pena comemorar?
Dólar mais baixo reduz pressão inflacionária. Remédios importados, combustível, tecnologia — tudo pode ficar mais barato. Pode.
Mas entre a cotação cair e o preço baixar na gôndola existe um abismo chamado margem de lucro. E advinha quem controla isso?
Os mesmos grupos econômicos que financiam campanhas políticas. Os mesmos que têm representantes no Congresso. Os mesmos que lucram na alta e na baixa.
"O mercado brasileiro é um clube privado com porteiro na entrada. Você não foi convidado."
Enquanto isso, no Planalto
Brasília assiste ao espetáculo com interesse particular. Dólar controlado melhora imagem do governo. Inflação mais baixa acalma o eleitor.
Mas os políticos mais ricos do Brasil sabem que isso é teatro. Eles diversificam. Protegem patrimônio em dólar, euro, ouro. Têm assessores financeiros que custam mais que o salário anual de um professor.
Para eles, a oscilação cambial é oportunidade de lucro. Para o povo, é loteria.
O dólar pode cair hoje e subir amanhã. A Bolsa pode dançar conforme a música. Mas uma coisa não muda: quem tem informação e capital sempre sai na frente.
E você, quanto tem guardado em dólar?