Eduardo Bolsonaro pode perder salário do Congresso em 2026
Enquanto você rala por R$ 1.412 no salário mínimo, Eduardo Bolsonaro embolsa R$ 44 mil por mês como deputado federal. Mas essa mamata pode estar chegando ao fim.
A Polícia Federal concluiu processo administrativo e pediu a demissão do filho 03 do ex-presidente. O motivo? Abandono de cargo. Eduardo está nos Estados Unidos desde janeiro, trabalhando como lobista para o pai — e recebendo o salário do Congresso brasileiro.
O processo que pode custar milhões
A investigação da PF apurou ausências reiteradas de Eduardo Bolsonaro em Brasília. Ele assumiu oficialmente como deputado em fevereiro, mas mal pisou na Câmara. Passou a maior parte do tempo em Miami, onde a família montou base de operações.
A decisão final sobre a demissão cabe ao Ministério da Justiça. Se confirmada, Eduardo perde não apenas o salário mensal de R$ 44.008,52. Vai junto o auxílio-moradia de R$ 4.253,90, a verba de gabinete de R$ 113 mil mensais e a cota parlamentar que pode chegar a R$ 45 mil por mês.
Fazendo as contas: são mais de R$ 200 mil mensais em benefícios. Até 2026, quando termina o mandato, seriam quase R$ 5 milhões saindo do seu bolso para o dele.
Quem contra quem
De um lado, a Polícia Federal argumenta que cargo público exige presença. Do outro, Eduardo Bolsonaro alega que trabalha "remotamente" e que suas ausências são justificadas por compromissos políticos no exterior.
O problema jurídico é simples: deputado federal precisa estar em Brasília. Não existe home office para parlamentar — pelo menos não em caráter permanente.
O que está por trás
A mudança de Eduardo para os Estados Unidos não é coincidência. Com Jair Bolsonaro inelegível até 2030, a família reorganiza as peças do tabuleiro. Eduardo virou o elo entre o bolsonarismo brasileiro e o trumpismo americano.
Ele participou de eventos da extrema-direita nos EUA, reuniu-se com aliados de Donald Trump e trabalha para manter o fluxo de dinheiro conservador entre os dois países. É lobista não-registrado — o que também pode virar problema legal por lá.
Mas essa estratégia tem preço. Literalmente. Se a PF conseguir a demissão, Eduardo perde a blindagem do mandato. Fica sem salário, sem verba, sem auxílios. E, principalmente, sem foro privilegiado.
O precedente bilionário
Se o Ministério da Justiça acatar o pedido da PF, abre-se precedente perigoso para dezenas de parlamentares. Levantamento extraoficial aponta que pelo menos 40 deputados e senadores passam mais tempo fora de Brasília do que dentro.
Muitos têm empresas, fazem palestras, dão consultoria. Todos recebendo o salário integral do Congresso. Se Eduardo cair, a fila pode crescer.
Por isso, bastidores de Brasília apostam que o Ministério da Justiça vai engavetar o processo. Demitir Eduardo significa criar jurisprudência. E ninguém quer isso — exceto quem paga a conta.
O contribuinte brasileiro, que sustenta 594 parlamentares federais com mais de R$ 300 milhões anuais só em salários, continua esperando.
Eduardo Bolsonaro não se pronunciou oficialmente sobre o processo da PF até o fechamento desta matéria.