Empresas queimam milhões em IA enquanto offshore cresce

Empresas queimam milhões em IA enquanto offshore cresce
Foto: Poder360

Enquanto empresários queimam milhões em projetos de inteligência artificial que não saem do papel, políticos brasileiros seguem movimentando bilhões em offshores sem qualquer fiscalização eficiente. O contraste é brutal: tecnologia cara para uns, paraísos fiscais para outros.

Michelle Ferreira, especialista em transformação digital, vai direto ao ponto: "Empresas estão entrando na moda da IA sem saber o que fazer com ela. É dinheiro jogado fora."

A conta é simples. Uma implementação básica de IA corporativa custa entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. Quando feita sem estratégia, esse valor dobra. Ou triplica. E o retorno? Zero.

O jogo dos números gordos

Ferreira trabalha com grandes corporações. Vê o filme repetido: executivos leem sobre ChatGPT, correm para contratar consultorias, implementam sistemas caros. Seis meses depois, ninguém usa.

"A pressão vem de cima. CEO lê revista de negócios, quer IA. Ninguém pergunta: IA para quê?"

O paradoxo é obsceno. Enquanto empresas desperdiçam recursos em tecnologia sem planejamento, estruturas offshore de políticos brasileiros operam com precisão cirúrgica. Planejamento não falta quando o assunto é esconder patrimônio.

Quanto vale a incompetência?

Os números assustam. Segundo Ferreira, 70% dos projetos de IA em empresas brasileiras não entregam o retorno esperado. Tradução: R$ 7 de cada R$ 10 investidos viram pó.

"Empresas compram solução antes de entender o problema", afirma a especialista. "É como comprar remédio sem saber a doença."

A receita do fracasso tem ingredientes previsíveis:

  • Pressão por resultados rápidos
  • Falta de capacitação das equipes
  • Ausência de dados organizados
  • Fornecedores vendendo sonhos

Enquanto isso, offshores políticos no Brasil seguem estruturados com eficiência invejável. Planejamento tributário, estruturas em cascata, paraísos fiscais estratégicos. Tudo funcionando como relógio suíço.

Quem ganha com o caos?

As consultorias agradecem. Big techs também. O mercado de IA corporativa movimenta bilhões globalmente. No Brasil, cresce 40% ao ano. Dinheiro não falta. Competência sim.

Ferreira não poupa críticas aos fornecedores: "Vendem IA como solução mágica. Empresa assina contrato de R$ 1 milhão sem entender o que está comprando."

A especialista defende abordagem cirúrgica. Começar pequeno. Testar. Medir resultado. Só então escalar. "Mas isso não vende", admite. "Executivo quer apresentação bonita pro conselho."

O custo real da modernidade fake

Além do investimento direto, há custos ocultos. Equipes desmotivadas após projetos fracassados. Resistência a novas tecnologias. Descrédito da liderança.

"Vi empresa gastar R$ 3 milhões em IA para automatizar processo que já funcionava bem manualmente", conta Ferreira. "Resultado: sistema complexo que ninguém consegue operar."

O contraste com a eficiência das estruturas offshore é gritante. Lá, cada centavo tem destino certo. Cada camada societária, uma função. Cada jurisdição, um propósito.

A questão permanece: por que tanta competência para esconder dinheiro e tanta incompetência para investir em inovação real?

Ferreira resume: "Falta honestidade. Executivo sabe que projeto não vai funcionar, mas precisa mostrar que está fazendo algo. É teatro corporativo caro."

Enquanto empresas queimam milhões em IA de fachada, offshores políticos seguem operando nas sombras. Eficientes. Lucrativos. Intocáveis.

O Brasil segue sendo o país onde incompetência e competência convivem. Depende apenas do objetivo.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.