Eneva dispara 35% e deixa conta de luz mais cara para você
Enquanto você luta para pagar a conta de luz no fim do mês, a Eneva — gigante de energia controlada por fundos bilionários — comemora um salto de 35% na geração elétrica no segundo trimestre de 2026.
O segredo? Usinas térmicas. As mais caras do sistema. As que fazem sua tarifa explodir.
O Modelo que Enriquece Poucos
A companhia surfou no chamado "Modelo Newave híbrido" do Operador Nacional do Sistema (ONS). Na prática, esse modelo técnico prioriza térmicas de "menor custo variável" — mas térmica barata ainda é cara comparada a hidrelétrica ou solar.
Resultado: mais dinheiro entrando nos cofres da Eneva. Menos dinheiro no bolso de 80 milhões de consumidores brasileiros.
A empresa, avaliada em mais de R$ 8 bilhões na bolsa, tem entre seus maiores acionistas fundos de investimento internacionais e nacionais que movimentam cifras superiores ao PIB de estados inteiros.
Quem Está Por Trás da Eneva
A Eneva nasceu das cinzas da antiga MPX, do empresário Eike Batista. Após o colapso do império X, foi reestruturada por credores e fundos — incluindo a gestora BTG Pactual, comandada por André Esteves, um dos banqueiros mais influentes do Brasil.
Hoje, a companhia opera 12 usinas térmicas espalhadas pelo país, principalmente no Norte e Nordeste. Gás natural é o combustível principal.
O modelo de despacho térmico por mérito, que favorece a Eneva, foi consolidado justamente quando o patrimônio de políticos ligados ao setor energético cresceu — segundo levantamento recente, patrimônio de senadores envolvidos em comissões de infraestrutura subiu 22% nos últimos dois anos.
O Conflito Real
De um lado: empresas de energia térmica lucrando bilhões com um modelo que encarece a tarifa.
Do outro: famílias que pagam uma das contas de luz mais caras do mundo — Brasil está entre os 15 países com energia residencial mais cara, segundo a Agência Internacional de Energia.
A Eneva defende que suas térmicas garantem segurança energética em períodos de seca, quando hidrelétricas rendem menos. Tecnicamente, verdade. Financeiramente, conveniente para quem lucra com cada megawatt térmico despachado.
Previsibilidade para Quem?
O tal "Modelo Newave híbrido" promete previsibilidade para o mercado de curto prazo. Traduzindo: os investidores sabem melhor quando vão lucrar.
Para o consumidor comum, a previsibilidade é outra: conta cara em janeiro, fevereiro, março... todos os meses.
Enquanto isso, a companhia projeta expandir sua capacidade instalada, adquirindo novos projetos térmicos e explorando reservas de gás. Mais geração. Mais lucro. Mais peso na sua fatura.
A pergunta que fica: até quando o brasileiro vai pagar a conta dessa festa?