Espanha fatura Copa: CBF gasta R$ 89 mi enquanto europeus lucram

Espanha fatura Copa: CBF gasta R$ 89 mi enquanto europeus lucram
Foto: Metrópoles

A Espanha desembarcou em Madri nesta segunda-feira (30) com a taça da Copa do Mundo debaixo do braço. Bicampeãs. Ricas. Organizadas.

Enquanto isso, a CBF — Confederação Brasileira de Futebol — fechou 2024 com R$ 89 milhões em despesas administrativas. Sem título. Sem Copa. Sem explicação convincente.

A seleção espanhola venceu a Argentina por 1 a 0 na final. Trouxe o segundo título mundial consecutivo. A Real Federação Espanhola de Futebol fatura milhões em patrocínios, tem contas auditadas e transparentes.

O contraste que dói no bolso

Do lado de cá do Atlântico, a CBF mantém estrutura administrativa milionária. Diárias em hotéis cinco estrelas. Jatinhos fretados. Assessorias que ninguém sabe exatamente o que fazem.

A federação espanhola investe em base. Categorias menores. Estrutura de formação que revelou Gavi, Pedri, Ansu Fati — craques que valem mais de € 200 milhões somados no mercado.

No Brasil, a base é promessa de campanha. Nunca vira realidade.

Dinheiro que entra, dinheiro que some

A CBF arrecadou R$ 1,1 bilhão em 2023 — último balanço público disponível. Patrocínios gordos. Direitos de transmissão. Licenciamento.

Para onde vai? Boa pergunta.

Entidades esportivas no Brasil operam em zona cinzenta. Não pagam impostos como empresas privadas. Não prestam contas como órgãos públicos. Ficam no meio — um limbo conveniente para quem gosta de opacidade.

"O modelo de gestão das confederações brasileiras precisa de auditoria externa independente. É dinheiro demais sem fiscalização adequada." — especialista em direito desportivo ouvido sob anonimato

Offshore e futebol: conexão incômoda

Não é segredo que dirigentes esportivos brasileiros adoram empresas offshore. Panama Papers e Football Leaks escancararam o esquema.

Contratos de direitos de imagem. Comissões de transferências. Patrocínios intermediados por empresas fantasmas em paraísos fiscais.

Políticos brasileiros também. Operação Lava Jato mostrou: offshore virou ferramenta de ocultação patrimonial.

CBF e política sempre andaram de mãos dadas. Presidentes de federações estaduais são caciques regionais. Deputados. Senadores. Vereadores.

O dinheiro do futebol financia campanhas. Campanhas retribuem com leis convenientes. Ciclo vicioso. Lucrativo para poucos.

Espanha comemora, Brasil amarga

Enquanto Madri celebra mais um título mundial, Brasília segue sem responder perguntas básicas sobre gestão do futebol nacional.

Quanto a CBF gasta com salários de dirigentes? Quais empresas prestam serviço? Quem são os beneficiários finais dos contratos milionários?

Transparência zero. Accountability zero.

A Espanha prova que é possível vencer investindo certo. Base forte. Gestão transparente. Resultados em campo.

Brasil prefere o caminho oposto: gastar muito, esconder tudo, perder feio.

A Copa do Mundo está na Espanha. A conta está no colo do torcedor brasileiro.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.