Espanha fatura US$ 42 mi na Copa: mais que orçamento de cidade
Enquanto milhões de brasileiros trabalham o ano inteiro sem chegar perto disso, a Espanha acabou de embolsar US$ 42 milhões — cerca de R$ 240 milhões — apenas por vencer a Copa do Mundo de 2026. Um cheque que vale mais que o orçamento anual de dezenas de municípios brasileiros.
A seleção comandada por Luis de la Fuente derrotou a Argentina por 1 x 0 na final, com gol de Ferrán Torres. Mas o placar no bolso é ainda mais elástico: cada jogador do elenco espanhol vai nadar em dinheiro da FIFA nos próximos meses.
O negócio bilionário da FIFA
A premiação total da Copa de 2026 bateu a marca de US$ 440 milhões distribuídos entre as 48 seleções participantes. A FIFA, que faturou mais de US$ 7 bilhões no ciclo anterior, não faz caridade: quanto mais longe você vai, mais você ganha.
A Espanha levou o jackpot máximo. A Argentina, vice-campeã, ficou com US$ 33 milhões. As semifinalistas embolsaram US$ 27 milhões cada. Até quem caiu na fase de grupos não saiu de mãos vazias: garantiu no mínimo US$ 9 milhões.
Comparação cruel com a realidade brasileira
Para entender a dimensão: os US$ 42 milhões da Espanha equivalem ao PIB de cidades inteiras no interior do Brasil. É o orçamento anual de municípios com mais de 50 mil habitantes.
Enquanto isso, prefeitos brasileiros — alguns considerados herdeiros políticos de dinastias locais — administram cidades inteiras com menos recursos do que a seleção espanhola ganhou em sete jogos.
"O futebol virou uma máquina de fazer dinheiro para poucos enquanto a base, nas periferias, continua jogando descalça", criticou um analista esportivo.
Quem paga a conta?
A FIFA distribui esse dinheiro a partir de contratos bilionários com emissoras de TV, patrocinadores globais e direitos de transmissão. Coca-Cola, Adidas, Visa: os gigantes corporativos bancam o espetáculo. E o torcedor comum? Esse paga caro pelo ingresso, pela camisa, pela TV por assinatura.
A distribuição funciona assim:
- Campeão: US$ 42 milhões
- Vice: US$ 33 milhões
- 3º e 4º lugar: US$ 27 milhões cada
- Eliminados nas quartas: US$ 21 milhões
- Eliminados nas oitavas: US$ 16 milhões
- Eliminados na fase de grupos: US$ 9 milhões
Ferrán Torres: o gol de ouro
O atacante do Barcelona marcou o único gol da decisão e entrou para a história. Mas diferente de Maradona ou Pelé, que jogaram em épocas de premiações modestas, Ferrán Torres fez o gol mais lucrativo da carreira.
Além da premiação coletiva, ele deve receber bônus individual da federação espanhola. Estimativas apontam que o prêmio pessoal pode passar de € 500 mil — sem contar os contratos publicitários que virão.
E o Brasil?
A seleção brasileira, eliminada ainda nas oitavas de final, levou "apenas" US$ 16 milhões. Um fracasso esportivo que também dói no bolso da CBF.
Para efeito de comparação: o que a Espanha ganhou a mais que o Brasil (US$ 26 milhões) daria para construir 13 escolas de futebol completas no país. Ou reformar 50 campos de várzea. Mas esse debate nunca chega às mesas dos cartolas.
Enquanto herdeiros políticos disputam prefeituras e governos com orçamentos menores que uma Copa do Mundo, o futebol segue sua lógica própria: vence quem joga melhor. E quem vence, nada em dinheiro.