Espanha treme e ricos do Congresso vibram: quanto custa a festa?

Espanha treme e ricos do Congresso vibram: quanto custa a festa?
Foto: Metrópoles

Enquanto a terra tremia literalmente na Espanha — sismógrafos registraram vibrações quando milhões comemoraram a vitória sobre a Argentina —, uma pergunta fica no ar: quanto custa essa alegria coletiva? E mais: quanto os ricos do Congresso brasileiro gastam em suas próprias comemorações privadas?

A resposta para a primeira é simples: nada além de emoção pura. Para a segunda? Milhões de reais do seu bolso.

O chão tremeu de verdade

Não é metáfora. Equipamentos científicos em cidades espanholas captaram tremores provocados pela explosão de alegria dos torcedores. Foi no gol decisivo, no apito final, nas ruas tomadas por uma nação inteira.

Milhões de pessoas pulando, gritando, vivendo o mesmo momento. Democraticamente. Rico e pobre, lado a lado, fazendo o solo vibrar.

Zero reais de dinheiro público envolvido.

Aqui, só treme a conta bancária

No Brasil, enquanto isso, os ricos do Congresso Nacional seguem sua rotina de mordomias bancadas pelo contribuinte. Passagens aéreas em primeira classe. Jantares caríssimos. Combustível sem limite.

A cota parlamentar — aquele dinheiro que deputados e senadores usam "para exercer o mandato" — permite gastos de até R$ 50 mil mensais por deputado. Senadores têm teto ainda maior.

Só em 2024, até agora, foram mais de R$ 200 milhões em despesas. Restaurantes finos. Passagens para familiares. Hotéis cinco estrelas.

Quanto vale uma vibração?

Na Espanha, a felicidade coletiva fez sismógrafos reagirem. Instrumentos sensíveis que normalmente detectam abalos sísmicos registraram o pulo sincronizado de uma nação.

É o tipo de momento que não tem preço. Ou melhor: tem preço zero para o erário público.

Compare com os gastos dos parlamentares brasileiros em "eventos esportivos" e "representação". Viagens para assistir jogos importantes. Camarotes pagos com verba pública. Jantares de "articulação política" que custam mais que o salário mensal de um trabalhador médio.

Os números não mentem

Levantamento recente mostra que deputados gastaram R$ 3,2 milhões apenas com combustível em três meses. Isso dá mais de R$ 6 mil por parlamentar, por mês, só para abastecer carros.

Restaurantes? Mais de R$ 15 milhões no mesmo período.

Enquanto espanhóis fazem a terra tremer de graça, nossos representantes fazem nossas contas tremerem — e não de alegria.

A festa é deles, a conta é sua

O contraste é brutal. De um lado, uma comemoração genuína e espontânea que mobiliza milhões e custa zero ao Estado. Do outro, uma elite política que transforma cada aspecto da vida em despesa reembolsável.

Os ricos do Congresso não fazem o chão tremer. Fazem o orçamento sangrar.

E ao contrário dos torcedores espanhóis — que celebravam uma conquista coletiva —, aqui a festa é privada, exclusiva, restrita. Mas a conta? Ah, essa é dividida com todos nós.

Na Espanha, equipamentos científicos registraram o tremor da alegria popular. No Brasil, só sobram os recibos das mordomias parlamentares.

Você escolhe qual tremor prefere.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.