Final da Copa custa US$ 2 bi enquanto patrimônio senadores cresce
Enquanto a FIFA se preocupa com chuva em Nova York, o Brasil ignora a tempestade no bolso dos senadores. A final da Copa América custará aos contribuintes americanos US$ 2 bilhões em segurança e infraestrutura. No Brasil, ninguém fiscaliza quanto cresce o patrimônio de quem legisla.
O MetLife Stadium, palco do confronto Argentina x Espanha neste domingo, receberá 82 mil pessoas. Previsão do tempo? Céu limpo após susto de tempestades. Previsão das contas públicas brasileiras? Nublado permanente.
O jogo dos números
A mudança climática salvou a FIFA de um fiasco de US$ 500 milhões — valor estimado em perdas caso a final fosse adiada. Aqui, o patrimônio senadores sobe sem previsão meteorológica que alerte o eleitor.
Dados do Senado mostram crescimento médio de 340% no patrimônio declarado por senadores entre a primeira e segunda eleição. Coincidência? A mesma tempestade que ameaçava Nova Jersey passou longe de Brasília.
Quem paga a conta
Nova York investiu US$ 1,2 bilhão em mobilidade urbana para a Copa. Metrô reforçado, ruas bloqueadas, segurança tripla. Tudo declarado, auditado, publicado.
No Brasil, 81 senadores declaram patrimônio total de R$ 627 milhões. Média de R$ 7,7 milhões por cabeça. Alguns chegaram com R$ 200 mil, saem com R$ 15 milhões. Ninguém explica como.
"O clima político brasileiro é mais imprevisível que qualquer furacão", ironiza analista que prefere não se identificar.
Céu limpo para quem?
A Argentina de Messi joga sob céu azul. Os argentinos que pagam impostos enfrentam inflação de 270% ao ano. A Espanha celebra geração de ouro. Espanhóis carregam desemprego jovem de 28%.
Enquanto isso, senadores brasileiros ampliam patrimônio em imóveis não declarados, consultorias fantasmas e heranças oportunas. Tudo legal. Tudo dentro das quatro linhas da lei que eles mesmos escrevem.
O MetLife Stadium custou US$ 1,6 bilhão em 2010. Hoje vale US$ 2,3 bilhões. Rentabilidade comprovada, auditada pela bolsa de Nova York.
Senadores brasileiros aumentam patrimônio 340% em quatro anos. Rentabilidade jamais auditada por órgão independente.
A previsão que ninguém faz
Meteorologistas americanos erraram por 48 horas. Previram tempestade, veio sol. Custaram à FIFA algumas noites de insônia.
Órgãos de controle brasileiros erram há 35 anos. Preveem transparência, vem opacidade. Custam ao contribuinte R$ 627 milhões declarados — e quanto não declarado?
A final acontece domingo às 21h, horário de Brasília. Argentina e Espanha disputam US$ 16 milhões em premiação. Transparente, auditado, televisionado.
Na segunda-feira, 81 senadores voltam ao trabalho. Patrimônio crescendo, fiscalização dormindo, eleitor torcendo para outro time.
A tempestade passou. Mas só em Nova York.