Flávio Bolsonaro sob ataque: PL investiga offshore e perfis falsos

Flávio Bolsonaro sob ataque: PL investiga offshore e perfis falsos
Foto: Congresso em Foco

Enquanto brasileiros comuns quebram a cabeça para pagar o IPVA, uma guerra digital de milhões rola nos bastidores do poder. O Partido Liberal acionou o Tribunal Superior Eleitoral para desmascarar quem bancou uma rede de perfis falsos que bombardeou Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

A representação caiu no colo de Kassio Nunes Marques, ministro indicado pelo pai de Flávio. Coincidência? Talvez. Mas o que interessa mesmo é: quanto custou essa operação digital e de onde veio o dinheiro.

O Preço do Ataque Digital

Campanhas coordenadas nas redes não saem de graça. Perfis falsos profissionais, impulsionamento de posts, gestão de conteúdo — tudo tem preço. E esse preço costuma vir de contas bem gordas.

O PL quer saber exatamente isso: quem pagou a conta. A suspeita do partido aponta para uma estrutura sofisticada, possivelmente financiada por grupos políticos rivais ou empresários com interesses contrariados.

"Identificar os responsáveis e os financiadores" — essa é a missão que o partido entregou ao TSE. Traduzindo: follow the money. Sempre funciona.

Offshore e Rastros Digitais

No mundo dos ataques digitais profissionais, o dinheiro raramente aparece com nome e sobrenome. Empresas fantasmas, offshores, laranjas — o cardápio é variado para quem quer lavar a origem dos recursos.

Não é novidade que políticos brasileiros usam estruturas offshore para movimentar recursos sem deixar rastros óbvios. A pergunta agora é: essa rede contra Flávio usou o mesmo manual?

O TSE tem ferramentas para rastrear anúncios pagos nas principais plataformas. Facebook, Instagram, Google — todos guardam registros de quem pagou por cada clique. Mas quando o pagamento vem de fora, a investigação complica.

Kassio no Comando

A escolha do relator não passou despercebida. Kassio Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro em 2020. Agora relata um caso envolvendo o filho do ex-presidente.

Críticos já apontam conflito de interesse. Defensores dizem que a distribuição foi automática, por sorteio. O fato é que Kassio terá que decidir se autoriza ou não a quebra de sigilo digital dos perfis investigados.

Se autorizar, nomes podem vir à tona. E nomes significam CPFs, CNPJs, contas bancárias. O tipo de coisa que pode virar manchete maior que a própria representação.

A Guerra Invisível

Perfis falsos são a infantaria moderna das batalhas políticas. Baratos de criar, difíceis de rastrear, eficientes em espalhar narrativas. Uma conta falsa bem administrada vale mais que dez outdoors na avenida.

O mercado digital político movimenta milhões no Brasil. Agências especializadas, consultores estrangeiros, tecnologia de ponta — tudo para moldar a opinião pública sem aparecer.

Flávio Bolsonaro foi alvo. Mas poderia ser qualquer um com poder suficiente para incomodar interesses bilionários. A pergunta que fica: quantas outras operações do tipo estão rolando agora, sem investigação?

O Que Vem Pela Frente

O TSE pode levar meses para concluir a investigação. Ou pode arquivar tudo em semanas, alegando falta de provas. Depende de quanto os advogados do PL conseguirem demonstrar.

Mas uma coisa é certa: se os financiadores forem identificados, o estrago político será enorme. Tanto para quem atacou quanto para quem foi atacado. Porque no Brasil, todo mundo tem rabo preso com alguém.

E quando o dinheiro sujo começa a aparecer, ninguém quer estar por perto quando a bomba explodir.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.