Flávio Bolsonaro sem vice: salário Congresso 2026 em jogo
Enquanto milhões de brasileiros se preocupam com o salário mínimo de R$ 1.518, Flávio Bolsonaro corre contra o tempo para garantir sua fatia dos R$ 44 mil mensais do Congresso em 2026. O senador pelo Rio ainda não tem vice. Nem palanques estaduais. Nem apoio garantido da própria família.
O filho 01 do ex-presidente está nu na disputa presidencial.
Racha familiar vale ouro
Jair Bolsonaro não esconde a preferência por Tarcísio de Freitas para 2026. O governador de São Paulo vale palanques. Vale dinheiro. Vale votos no estado mais rico do país. Flávio sabe disso. E range os dentes.
A briga não é ideológica. É matemática pura: quem chega ao Planalto em 2026 controla R$ 5,5 trilhões de orçamento federal. Quem fica de fora assiste da arquibancada — ou do Senado, recebendo seus R$ 44 mil mensais enquanto sonha com o que poderia ter sido.
O atraso da oposição virou piada interna em Brasília. Lula já tem Alckmin. Já tem governadores alinhados. Já tem máquina pública funcionando a pleno vapor. Flávio tem o quê? Um sobrenome desgastado e uma agenda vazia de alianças.
Falta de palanques expõe fraqueza
Nos estados, o cenário é pior. Governadores da direita fazem fila para tirar foto com Tarcísio. Flávio coleciona compromissos remarcados.
- Sem Tarcísio, perde São Paulo e seus 34 milhões de eleitores
- Sem Romeu Zema, Minas Gerais vira terreno minado
- Sem Ratinho Jr., o Paraná escorrega para outros candidatos
- Sem Ronaldo Caiado, Goiás some do mapa
A conta não fecha. E Flávio sabe que candidato sem estrutura estadual vira nota de rodapé na história eleitoral.
Vice fantasma e eleitor real
A procura por um vice expõe a fragilidade do projeto. Nomes circulam. Nenhum empolgam. Michelle Bolsonaro recusou. Pastores querem cargos, não palanques. Militares esfriaram após o 8 de janeiro.
Sobra para Flávio a estratégia do desespero: esperar que Tarcísio tropece, que Lula envelheça demais, que um milagre aconteça entre hoje e 2026.
"Eleição presidencial não se ganha com improviso. Se ganha com dinheiro, estrutura e aliança. Flávio tem o bolsonarismo. Falta todo o resto."
O tal do bolsonarismo raiz, que Flávio defende com unhas e dentes, vale votos no Twitter. Na urna, vale menos que governador entregando asfalto e creche.
O que está em jogo de verdade
Para além dos salários polpudos do Congresso 2026, está em disputa o controle da máquina federal. Quem manda no Executivo nomeia 23 mil cargos comissionados. Libera emendas. Decide quem come e quem passa fome na distribuição de verbas.
Flávio cresceu vendo o pai distribuir poder. Agora quer o próprio banquete. Mas está descobrindo que herdar sobrenome não é herdar estrutura política.
Lula construiu alianças durante décadas. Sobreviveu a prisões, derrotas, traições. Voltou porque tinha base sólida. Flávio tem base de areia — constrói castelos que desmoronam antes da primeira onda.
Até outubro de 2026 falta tempo. Mas na política brasileira, onde governadores são reis regionais e vice-presidente precisa trazer votos, Flávio está perigosamente atrasado.
O relógio corre. O salário do Congresso está garantido. A cadeira do Planalto, essa sim, escapa entre os dedos.