Flávio Bolsonaro filma supermercado e ataca poder em Brasília
R$ 8,99 por um maço de arroz. R$ 12,50 pelo óleo de soja. Enquanto você sua pra fechar as contas no fim do mês, Flávio Bolsonaro desfila pelo corredor de um supermercado com o celular na mão.
O senador publicou um vídeo nas redes sociais comparando os preços atuais com os de 2019 — quando seu pai, Jair Bolsonaro, comandava o Palácio do Planalto. A mensagem? "O poder de compra do brasileiro acabou".
A gravação viralizou. Milhões de visualizações. Comentários inflamados. Mas por trás da performance de supermercado, há um jogo bem mais caro em andamento.
O filho do ex-presidente volta à carga
Flávio Bolsonaro não é novato no ringue político de Brasília. Senador pelo Rio de Janeiro, ele carrega sobrenome pesado e ambições que combinam com o endereço de trabalho: o Senado Federal, onde orçamentos bilionários são aprovados entre cafés e acordos de bastidor.
O vídeo mostra produtos básicos. Arroz, feijão, óleo. Itens que pesam no bolso de quem ganha salário mínimo — R$ 1.412 em 2024. Mas também serve de munição para quem disputa narrativas e, claro, poder.
A comparação com 2019 não é inocente. É tiro certeiro contra o governo Lula, tentando resgatar a imagem do governo Bolsonaro como era dourada do consumo.
Quanto vale uma narrativa em Brasília?
Brasília vive de narrativas. E narrativas movem fortunas.
O senador Flávio não divulga apenas críticas ao governo. Ele alimenta uma base eleitoral que ainda sonha com 2026. Pesquisas eleitorais custam milhões. Campanhas digitais, idem. E quem controla a narrativa do "poder de compra" controla votos — que se traduzem em mandatos, verbas e influência.
Enquanto isso, o governo Lula rebate com dados próprios. Números de emprego, crescimento do PIB, programas sociais. Cada lado tem seu arsenal de estatísticas. Cada lado tem interesses financeiros gigantescos em jogo.
"O poder de compra do brasileiro acabou" — Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro
O bolso do eleitor e o cofre do político
Aqui está o contraste obsceno: enquanto famílias brasileiras cortam carne do cardápio, senadores ganham salário bruto de R$ 44.008,52. Fora auxílios. Fora verbas de gabinete.
Flávio Bolsonaro representa um estado onde a desigualdade é brutal. Rio de Janeiro mistura mansões na Barra da Tijuca com favelas sem saneamento básico. Ele filma supermercado, mas não revela quanto gasta por mês no próprio carrinho.
A estratégia é clara: surfar na insatisfação real da população pra marcar posição no tabuleiro de Brasília. Onde poder e dinheiro nunca estiveram tão entrelaçados.
O jogo continua
O vídeo do senador não vai resolver a inflação. Não vai encher geladeira vazia. Mas vai render manchetes, engajamento e capital político.
Enquanto você decide entre pagar a conta de luz ou comprar um quilo de carne, eles decidem quem será o próximo a comandar o orçamento federal — trilhões de reais que passam longe do seu bolso.
Flávio Bolsonaro entendeu uma regra de ouro de Brasília: quem controla a narrativa sobre dinheiro, controla o dinheiro de verdade.