Flávio Bolsonaro aposta em TSE 'imparcial' para 2026

Flávio Bolsonaro aposta em TSE 'imparcial' para 2026
Foto: Metrópoles

Enquanto brasileiros comuns lutam para pagar a conta de luz, o filho do ex-presidente joga xadrez milionário pensando em 2026. Flávio Bolsonaro, senador que representa o Rio de Janeiro no Congresso, declarou publicamente acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral será "imparcial" nas próximas eleições presidenciais.

O recado é claro: a família mudou de estratégia.

O Que Mudou no Discurso

Em 2022, o clã Bolsonaro martelou narrativa oposta. Pai e filhos atacaram diariamente a Justiça Eleitoral, questionaram urnas eletrônicas e mobilizaram manifestantes em frente a quartéis. Agora, o tom é outro.

"Diferente de 2022", afirmou Flávio ao sinalizar confiança no TSE para o próximo pleito. A guinada não é inocente. É calculada.

Quanto Vale a Virada

Por trás da mudança de discurso está uma conta simples: inelegibilidade custa caro. Jair Bolsonaro foi barrado de disputar eleições até 2030. Sem candidatura viável, a máquina política da família perde acesso a bilhões em fundo partidário e tempo de TV.

A estratégia agora passa por reconstruir pontes com instituições. O objetivo: reverter a inelegibilidade ou viabilizar um poste competitivo para 2026.

"A gente acredita que o TSE será imparcial desta vez"

Flávio não detalhou o que exatamente seria diferente na atuação do Tribunal. Também não apresentou evidências de parcialidade anterior. Mas lançou a semente.

O Jogo dos Nomes Fortes

Nos bastidores, especula-se sobre quem carregaria o projeto bolsonarista caso a inelegibilidade do patriarca se mantenha. Nomes circulam: Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, o próprio Flávio.

Cada opção representa alianças diferentes — e cofres diferentes.

Tarcísio tem apoio do empresariado paulista. Michelle mobiliza evangélicos e suas igrejas bilionárias. Flávio controla o PL no Rio, estado estratégico onde fortunas políticas são construídas e destruídas.

Dinheiro e Poder em Jogo

As eleições presidenciais movimentam fortunas. Em 2022, campanhas de Lula e Bolsonaro somaram mais de R$ 240 milhões só em recursos oficiais. Fora o dinheiro não declarado.

Estruturas partidárias, marqueteiros, assessores, aliados regionais — todos dependem da máquina funcionando. Uma inelegibilidade permanente desorganiza o fluxo.

Por isso a mudança de tom importa. Não é sobre verdade ou justiça. É sobre viabilidade eleitoral. É sobre manter o nome no jogo.

O Que Vem Por Aí

A declaração de Flávio testa o terreno. Se o TSE responder positivamente — ou simplesmente não reagir —, a família avança na reaproximação institucional.

Se houver reação dura, voltam ao discurso de confronto. Nada está definido. Tudo está sendo negociado.

Enquanto isso, o brasileiro médio assiste de camarote um espetáculo onde os ingressos custam milhões e os protagonistas nunca pagam do próprio bolso.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.