Filho de Bolsonaro barrado: patrimônio e poder em jogo

Filho de Bolsonaro barrado: patrimônio e poder em jogo
Foto: Congresso em Foco

Flávio Bolsonaro, senador com patrimônio declarado superior a R$ 2 milhões, não pode mais visitar o próprio pai. A ordem veio de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.

A defesa do filho do ex-presidente entrou com pedido formal para derrubar a medida. Querem que o próprio Moraes reconsidere. Caso contrário, que a 1ª Turma da Corte decida.

O Que Está em Jogo

Jair Bolsonaro está preso desde 10 de fevereiro. Flávio, seu filho mais velho e político mais próximo, tinha acesso garantido ao pai.

Até agora.

Moraes suspendeu as visitas após relatórios da Polícia Federal indicarem possível uso dos encontros para articulações políticas. A decisão é inédita para familiares diretos de presos políticos no Brasil.

O senador pelo Rio de Janeiro ocupa cargo com salário bruto de R$ 44 mil mensais. Seu patrimônio declarado ao TSE inclui imóveis, veículos e investimentos financeiros.

Quem Contra Quem

De um lado: Flávio Bolsonaro e seus advogados, alegando direito constitucional à convivência familiar.

Do outro: Alexandre de Moraes, ministro que conduz investigações sobre tentativa de golpe de Estado.

No meio: Jair Bolsonaro, ex-presidente preso preventivamente, sem acesso ao filho que sempre foi seu braço direito político.

O Pedido da Defesa

Os advogados protocolaram embargos de declaração. O instrumento jurídico serve para pedir esclarecimentos ou reconsideração de decisões judiciais.

A estratégia é dupla:

  • Primeiro, que Moraes volte atrás sozinho
  • Segundo, que submeta o caso aos outros ministros da 1ª Turma

A 1ª Turma do STF é composta por cinco ministros. Além de Moraes, integram o colegiado Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Patrimônio e Política

Flávio Bolsonaro acumula mandatos desde 2003. Começou como vereador no Rio, passou por deputado estadual e chegou ao Senado em 2019.

Durante duas décadas na política, construiu patrimônio declarado que o coloca entre os senadores com maior renda familiar do país.

Sua esposa, Fernanda Bolsonaro, também possui bens próprios. Juntos, o casal movimenta cifras significativas em um país onde o salário mínimo mal ultrapassa R$ 1,4 mil.

Agora, dinheiro e poder não garantem o direito de visitar o pai na prisão.

Precedente Perigoso?

Juristas divergem sobre a medida. Parte argumenta que suspender visitas familiares viola garantias fundamentais. Outros defendem que investigações sobre golpe de Estado justificam restrições excepcionais.

O caso estabelece precedente. Se confirmada, a decisão pode ser usada em outras situações envolvendo presos políticos e seus familiares influentes.

Para Flávio, a situação é duplamente constrangedora: como filho, perde o contato com o pai. Como senador com patrimônio robusto e conexões políticas, descobre que há limites ao que o poder pode comprar.

A resposta de Moraes aos embargos deve sair nas próximas semanas. Até lá, pai e filho seguem separados por decisão judicial.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.