Flávio Bolsonaro corteja voto feminino em evento de elite do PL
Enquanto 52 milhões de brasileiras vivem com menos de R$ 600 por mês, Flávio Bolsonaro desembarcou no Distrito Federal neste domingo (2/8) para cortejar justamente esse eleitorado. O cenário? Uma convenção do PL recheada de empresários, políticos e gente com sobrenome que abre portas.
A jogada é simples: aparecer ao lado da esposa, elogiar a força feminina e tentar converter antipatia em voto. O filho do ex-presidente sabe que sem as mulheres não há caminho para o Planalto.
O palanque dos poderosos
A convenção estadual do PL no DF não é evento qualquer. É ali que se misturam os donos do dinheiro com os donos do poder. Deputados federais, senadores, empresários do agronegócio e do setor imobiliário — gente que figura ou já figurou no ranking de bilionários do Brasil.
Flávio sabe circular nesse meio. Afinal, construiu sua carreira política exatamente nessa interseção entre Brasília e os grandes negócios. O PL virou casa comum dessa turma desde que abraçou o bolsonarismo.
Esposa como escudo
A estratégia não é nova, mas segue eficaz entre conservadores: colocar a mulher na vitrine política. Flávio repetiu o manual. Elogiou a esposa publicamente, falou em "valorização feminina" e acenou para pautas que ressoam entre eleitoras de classe média.
O problema está nos números. Pesquisas mostram rejeição feminina acima de 60% ao clã Bolsonaro. Converter isso exige mais que sorrisos e elogios domésticos.
Quem está por trás
O PL de Valdemar Costa Neto virou refúgio de quem aposta fichas altas na extrema-direita brasileira. Empresários do agro, donos de redes varejistas, investidores do mercado financeiro — todos com interesse direto em pautas econômicas liberais e costumes conservadores.
Não é romantismo político. É cálculo frio. Esses nomes querem ministérios, concessões, contratos. E Flávio é o herdeiro mais viável do capital político bolsonarista.
O jogo de 2026
A convenção no DF serve como termômetro. Flávio testa discurso, mede reações, ajusta narrativa. O eleitorado feminino é o calcanhar de Aquiles — e ele sabe disso.
Mas há um abismo entre discurso de palanque e realidade das urnas. As mulheres que ele precisa convencer não estão nas convenções de Brasília. Estão nas filas do SUS, nos ônibus lotados, nos empregos precarizados.
O desafio de Flávio é vender prosperidade para quem mal consegue pagar as contas. E fazer isso com sobrenome que virou sinônimo de rachadinha, milícia e investigação.
Por enquanto, ele conta com o dinheiro do PL, o apoio dos empresários e a esperança de que o voto feminino tenha memória curta. A convenção de domingo foi só o primeiro ensaio de uma peça que promete muito barulho até 2026.