Gigantes da tech faturaram milhões com apps de nudes falsos

Gigantes da tech faturaram milhões com apps de nudes falsos
Foto: canaltech.com.br

Enquanto você rala por R$ 1.320 de salário mínimo, Apple e Google embolsaram milhões vendendo aplicativos que criam fotos de mulheres peladas sem consentimento. A farra só acabou quando a Justiça de San Francisco bateu o martelo e mandou tirar tudo do ar.

Os apps de "nudify" — tecnologia de inteligência artificial que despe qualquer pessoa em segundos — faturavam alto nas lojas oficiais. Cada download, cada assinatura premium: comissão direitinho no bolso das gigantes.

O Negócio Bilionário Por Trás do Crime

A Apple confirmou ao site 9to5Mac que removeu os aplicativos citados pela Procuradoria-Geral de San Francisco. Mas só depois do processo. Antes disso? Lucrando tranquilamente.

O Google seguiu o mesmo caminho. Tirou os apps do ar e bloqueou buscas por termos como "nudify" na Play Store. Tarde demais: milhares de vítimas já tinham suas imagens adulteradas circulando.

A decisão judicial acusou as plataformas de "facilitar a distribuição" dessas ferramentas. Traduzindo: elas sabiam e deixaram rolar.

Quem Manda Nesse Mercado No Brasil?

As mesmas empresas que controlam 99% dos smartphones brasileiros. Apple e Google decidem o que entra e o que sai. O que você pode baixar. O que seus filhos acessam.

Não existe concorrência real. Não existe fiscalização prévia. Não existe punição que doa no bolso deles.

A Apple vale US$ 3,5 trilhões. O Google, US$ 2,1 trilhões. Multas de alguns milhões? Custos operacionais. Troco de bala.

O Padrão Se Repete

Não é a primeira vez. As gigantes da tecnologia operam sempre na mesma lógica:

  • Lucram com conteúdo problemático
  • Ignoram denúncias iniciais
  • Só agem quando a Justiça obriga
  • Pagam multas irrisórias
  • Seguem bilionárias

Agora prometem banir as contas dos desenvolvedores responsáveis. Promessas custam barato.

O Preço Real

Enquanto isso, mulheres — principalmente meninas em idade escolar — lidam com fotos falsas espalhadas em grupos de WhatsApp. Reputações destruídas. Carreiras manchadas. Traumas permanentes.

As vítimas pagam o preço. As big techs contam o lucro.

A Procuradoria de San Francisco deu o primeiro passo. Mas até a próxima brecha lucrativa aparecer, quanto tempo? E quem vai fiscalizar de verdade?

No Brasil, o mercado continua nas mãos de quem sempre mandou: meia dúzia de empresas americanas que respondem apenas quando conveniente. Ou quando obrigadas.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.