Governo esconde dados públicos em ano eleitoral: o que querem ocultar?
Enquanto políticos preparam suas campanhas milionárias, o cidadão comum perdeu o direito de saber o que acontece com seu próprio país. Desde 4 de julho, dezenas de portais do governo federal simplesmente desapareceram do ar.
Não foi ataque hacker. Não foi falta de dinheiro. Foi medo.
O apagão da informação pública
Dados sobre a queda do desmatamento na Amazônia? Inacessível. A menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos? Bloqueado. Pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais? Sumiu.
A desculpa oficial é o "defeso eleitoral" — período de três meses antes das eleições quando agentes públicos enfrentam restrições de conduta. Mas ninguém mandou derrubar sites inteiros.
A lei eleitoral proíbe propaganda institucional. Não proíbe transparência.
Quem ganha com o silêncio?
A pergunta que ninguém quer responder: por que esconder notícias boas?
Se o desmatamento caiu, isso não deveria ser celebrado independente de eleição? Se bebês estão morrendo menos, não é interesse público saber?
O timing é conveniente demais. Justamente quando o país precisa avaliar políticas públicas para votar, os dados desaparecem. Coincidência?
- Ibama offline durante debate ambiental
- Dados de saúde inacessíveis em ano de reformas
- Informações espaciais bloqueadas sem justificativa técnica
A falha não é técnica — é jurídica
Advogados eleitorais excessivamente cautelosos ordenaram o blackout preventivo. Melhor esconder tudo do que arriscar uma multa eleitoral.
O resultado? Pesquisadores, jornalistas e cidadãos comuns impedidos de acessar informação pública paga com dinheiro público.
Enquanto isso, offshore políticos brasil continuam operando nas sombras — esses sim jamais aparecem em portal governamental algum, eleição ou não.
O preço da cautela excessiva
Transparência não é favor. É direito constitucional.
A Lei de Acesso à Informação não tira férias eleitorais. Dados públicos não são propaganda — são prestação de contas.
Mas em Brasília, parece mais seguro apagar tudo e perguntar depois. Se o povo reclamar, culpa-se a Justiça Eleitoral. Se ninguém notar, melhor ainda.
Três meses de trevas informacionais. Justo quando o eleitor mais precisa de dados para decidir seu voto.
Conveniente, não?