Grupo bilionário do PCC quer perdão de R$ 3 bi em dívidas
Enquanto a maioria dos brasileiros mal consegue renegociar o carnê da loja, um império empresarial investigado por lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital tenta dar um calote de R$ 3 bilhões.
O Grupo Itajobi, dono de usinas de etanol e açúcar no interior de São Paulo, está na mesa de negociação com credores. Quer reduzir uma montanha de dívidas que seria suficiente para construir 60 mil casas populares.
Detalhe: as mesmas empresas estão na mira da Polícia Federal. A suspeita? Integrar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado mais poderoso do país.
O império do açúcar sujo
A operação que colocou o grupo na berlinda foi batizada de Cana Quebrada. Investigadores federais descobriram um esquema milionário: combustível adulterado, notas fiscais frias e dinheiro do PCC circulando pelas usinas como se fosse etanol puro.
O esquema funcionava assim: distribuidoras de combustível ligadas à facção compravam álcool das usinas do Grupo Itajobi. O produto era adulterado, misturado com água e metanol. A diferença virava lucro — e lavanderia para o caixa do crime.
As investigações apontam que apenas uma das distribuidoras envolvidas movimentou R$ 900 milhões em dois anos. Dinheiro que deveria estar em impostos foi parar em contas offshore e imóveis de luxo.
Dívida bilionária e vida de rei
Agora, o mesmo grupo quer convencer bancos e fornecedores a aceitar receber menos. A reestruturação proposta envolve R$ 3 bilhões em débitos com instituições financeiras, usinas parceiras e até pequenos produtores de cana.
A ironia é cruel: enquanto agricultores esperam pagamento atrasado, os controladores do grupo circulam entre fazendas, jatinhos e mansões. Um padrão comum entre integrantes do seleto clube dos bilionários brasileiros — mesmo quando o patrimônio é investigado.
O Itajobi opera cinco usinas no estado de São Paulo. Juntas, têm capacidade de moer 10 milhões de toneladas de cana por ano. É gente grande no setor sucroalcooleiro, um dos mais rentáveis do agronegócio nacional.
Crime organizado S.A.
A Polícia Federal estima que o PCC movimente R$ 2 bilhões por ano apenas no esquema de adulteração de combustíveis. É mais dinheiro que o faturamento de muitas empresas listadas na bolsa de valores.
A facção descobriu que lavar dinheiro no setor energético é mais seguro que o tráfico tradicional. Menos violência nas ruas, mais dinheiro nos bancos. Um modelo de negócios que faria inveja a qualquer MBA.
O esquema envolve uma cadeia complexa: usinas fantasmas, distribuidoras de fachada, postos clandestinos e até empresas de logística. Tudo registrado em cartório, com CNPJ e contador.
O Brasil que ninguém vê
Enquanto isso, o trabalhador comum paga R$ 5,50 no litro de gasolina adulterada. Destrói o motor do carro. Perde dinheiro com mecânico. E nunca vai saber que financiou, sem querer, um império bilionário erguido sobre propina e crime.
Os credores do Grupo Itajobi ainda avaliam a proposta de reestruturação. Têm até o fim do mês para decidir se aceitam o perdão parcial da dívida ou se levam tudo para a Justiça.
Uma coisa é certa: enquanto a negociação acontece em salas refrigeradas de advocacia, alguém está enchendo o tanque com combustível batizado. E pagando como se fosse puro.
Assim funciona o ranking dos bilionários no Brasil: nem sempre o que brilha é ouro. Às vezes, é só etanol com água.