Guerra no Golfo dispara petróleo e ameaça fortunas no Brasil

Guerra no Golfo dispara petróleo e ameaça fortunas no Brasil
Foto: Metrópoles

Enquanto você abastece o carro a R$ 6,50 o litro, alguém está ficando bilionário com a guerra. O Irã atacou navios comerciais no Estreito de Ormuz nesta terça-feira, depois de levar novos bombardeios americanos. Resultado: o barril de petróleo disparou 8% em 24 horas.

São onze dias seguidos de fogo cruzado entre Teerã e Washington. E o mundo paga a conta.

O gargalo de US$ 2 trilhões

O Estreito de Ormuz não é qualquer rota marítima. Por ali passa um terço de todo o petróleo transportado por navios no planeta. Feche essa passagem e a economia global para.

Os ataques iranianos miraram petroleiros com bandeira de conveniência — aqueles registrados em paraísos fiscais para pagar menos imposto. Dois navios foram atingidos. Nenhum afundou, mas a mensagem estava dada: mexeu com o Irã, mexeu com o bolso do mundo.

Wall Street tremeu. O índice Dow Jones caiu 340 pontos. Mas nem todos choram.

Quem ganha com o caos

Grandes petroleiras viram suas ações subirem forte. A ExxonMobil ganhou 4,2% em valor de mercado. A Chevron, 3,8%. No Brasil, a Petrobras subiu 5,1% na B3.

Tradução: os acionistas majoritários da estatal — entre eles fundos de investimento ligados a herdeiros políticos brasil e dinastias empresariais — lucraram milhões enquanto o povo reclama na bomba.

"Conflito geopolítico é oportunidade de ouro para quem sabe onde apostar", disse um operador de commodities em São Paulo, sob condição de anonimato. "A guerra não precisa durar muito. Três semanas de tensão já rendem um ano de lucro."

O jogo de xadrez mortal

Os EUA bombardearam instalações iranianas pela décima primeira vez consecutiva. O Pentágono alega "defesa de interesses americanos no Golfo Pérsico". O Irã responde atacando o que dói: o transporte de energia.

Simples assim: EUA versus Irã, com o resto do planeta refém.

A Casa Branca nega que pretenda ocupar território iraniano. Mas já deslocou dois porta-aviões, 8 mil soldados e uma frota de drones de última geração para a região. Custo estimado da operação: US$ 4 bilhões até agora.

Do outro lado, Teerã prometeu "fechar Ormuz completamente" se os ataques continuarem. Não é blefe vazio — o Irã tem mísseis balísticos capazes de afundar qualquer navio que passar pelo estreito de 34 km de largura.

Brasil na linha de fogo

O agronegócio brasileiro importa fertilizantes que passam por Ormuz. A indústria depende de químicos vindos da Ásia. Se a rota fechar por uma semana, o PIB pode encolher 0,3%, segundo a Fiesp.

Mas para os herdeiros políticos brasil e donos de refinarias privadas, a crise é festa. Cada dólar a mais no barril significa margem extra de lucro. A conta não fecha para quem paga, mas fecha — e muito bem — para quem vende.

"Guerra é o melhor negócio da história. Sempre foi, sempre será."

A frase é de um veterano trader de energia em Londres, repetida à exaustão em salas de negociação de São Paulo a Cingapura.

Enquanto isso, o Irã enterra soldados. Os EUA enviam mais tropas. E o resto do mundo segue perguntando: quando isso vai acabar?

Resposta curta: quando deixar de ser lucrativo.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.