HBO queima US$ 200 milhões e fãs abandonam Casa do Dragão

HBO queima US$ 200 milhões e fãs abandonam Casa do Dragão
Foto: canaltech.com.br

Duzentos milhões de dólares. Esse é o preço que a HBO está pagando pela terceira temporada de A Casa do Dragão. Daria para construir três hospitais no interior do Brasil. Ou financiar campanhas políticas de uma dezena de candidatos em Brasília. Mas o dinheiro está sendo jogado em dragões digitais — e os fãs estão fugindo.

A série que deveria ser a galinha dos ovos de ouro da Warner Bros. Discovery está perdendo o fôlego. Depois de um início explosivo com a Batalha da Goela, a produção pisou no freio. Conversas intermináveis. Intrigas políticas que não levam a lugar nenhum. O quinto episódio, exibido domingo passado, confirmou: o ritmo morreu.

O problema dos US$ 25 milhões por episódio

Cada capítulo da temporada custa cerca de US$ 25 milhões. Para comparação, um brasileiro médio levaria 2.500 anos ganhando salário mínimo para juntar isso. E o que o público está recebendo? Cenas paradas. Diálogos que se arrastam. Nada da ação que fez Game of Thrones valer cada centavo.

A conquista de Porto Real por Rhaenyra Targaryen aconteceu — era para ser o clímax. Mas os roteiristas decidiram desacelerar justamente quando deveriam acelerar. É como servir entrada e sobremesa, mas esquecer o prato principal.

Quem perde com isso

A conta é simples: fãs decepcionados cancelam assinaturas. A HBO Max precisa de números robustos para justificar o investimento astronômico. Executivos em Nova York olham planilhas. Acionistas cobram retorno. E o CEO da Warner, David Zaslav, que já cortou projetos inteiros para economizar, está de olho.

Nas redes sociais, a frustração explodiu. Fãs que acordavam segunda-feira animados para discutir o episódio agora reclamam de tédio. "Gastaram fortunas com dragões de computador mas esqueceram de contratar roteiristas", disparou um usuário no X.

O contraste perigoso

Enquanto a HBO queima dinheiro em Westeros, a Netflix está comendo pelas beiradas com produções mais enxutas e ritmo acelerado. Bridgerton custa menos da metade e entrega audiência consistente. The Witcher mantém a ação mesmo com orçamento menor.

A pergunta que ninguém quer fazer em Burbank: será que mais dinheiro significa melhor série?

A matemática brutal

Faltam três episódios para o fim da temporada. Se o ritmo continuar arrastado, a HBO terá um problema. Não apenas de imagem — mas financeiro. Renovar para a quarta temporada com audiência em queda é jogar dinheiro no ralo. E em Hollywood, dinheiro fala mais alto que dragões.

Os produtores têm 180 minutos para salvar a temporada. Três episódios para justificar US$ 200 milhões. Para reconquistar fãs que já estão procurando outras séries. Para provar que o império Targaryen ainda vale o investimento.

O relógio está correndo. E diferentemente da série, ele não vai desacelerar.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.