Infantino fatura 1 milhão de seguidores enquanto Fifa sangra
Enquanto a Fifa afundava em críticas durante a Copa do Mundo, Gianni Infantino surfava. O presidente da entidade mais poderosa do futebol mundial embolsou 975 mil novos seguidores no Instagram entre o início e o fim do Mundial. Um salto de 22,4% em sua base digital.
O levantamento foi feito pela Bites a pedido do Poder360. Os números revelam uma matemática perversa: quanto mais polêmica, mais visibilidade. Quanto mais visibilidade, mais poder.
A alquimia da controvérsia
Infantino não é novato no jogo. Assumiu a Fifa em 2016, após o terremoto do escândalo de corrupção que derrubou Joseph Blatter. Prometeu moralizar. Entregou poder concentrado.
Durante a Copa, protagonizou episódios que fariam qualquer assessor de imprensa tradicional suar frio. Defendeu o Catar das acusações de violação de direitos humanos. Atacou a imprensa europeia. Chamou críticos de hipócritas.
O resultado? Quase 1 milhão de pessoas decidiram segui-lo.
Instagram como termômetro de influência
No mundo do poder e dinheiro brasília, seguidores são moeda. São audiência cativa. São canal direto, sem filtro de imprensa, sem mediação incômoda.
A base de Infantino saltou de 4,35 milhões para 5,33 milhões. Números que executivos de marketing pagariam fortunas para alcançar. E ele conseguiu de graça — ou melhor, surfando na onda das próprias polêmicas.
Cada declaração controversa virava manchete. Cada manchete virava busca no Google. Cada busca levava ao perfil. O algoritmo agradece.
O manual da visibilidade tóxica
A estratégia não é nova. Políticos populistas mundo afora descobriram há tempos: é melhor ser odiado por milhões do que ignorado por bilhões.
Infantino aprendeu a lição. Suas postagens durante a Copa misturavam:
- Fotos com líderes mundiais
- Bastidores de decisões bilionárias
- Selfies em estádios lotados
- Mensagens genéricas sobre união pelo futebol
A narrativa cuidadosamente construída: ele como protagonista da maior festa do planeta.
Quanto vale um seguidor da Fifa?
No mercado de influência digital, perfis com milhões de seguidores valem ouro. Celebridades cobram até US$ 1 milhão por post patrocinado.
Infantino não vende publis. Mas vende algo mais valioso: acesso. Ele controla a entidade que movimenta US$ 7,5 bilhões por ciclo de Copa do Mundo.
Seus seguidores são executivos, patrocinadores, federações nacionais, jornalistas, torcedores. Cada post alcança um ecossistema que decide o futuro de bilhões em contratos.
Críticas que constroem impérios
A ironia é cristalina. A mesma Copa que gerou protestos sobre direitos humanos, mortes de trabalhadores e proibição de bebidas alcoólicas turbinou a marca pessoal de quem a defendeu.
Infantino transformou críticas em combustível. Virou protagonista mesmo quando era o antagonista da história.
No final, o saldo é simples: ele saiu mais forte. Mais seguido. Mais poderoso.
E a Fifa? Continua sendo a Fifa. Intocável, bilionária e agora ainda mais amplificada nas redes.
"No jogo do poder moderno, não importa se falam bem ou mal. Importa que falem. E que você controle o canal para responder."
Infantino entendeu o manual. E está lucrando com ele — em seguidores, influência e controle narrativo sobre o esporte mais rico do mundo.