Irmãs Biancardi grávidas juntas: luxo que só os ricos conhecem

Irmãs Biancardi grávidas juntas: luxo que só os ricos conhecem
Foto: revistaquem.globo.com

Enquanto a maioria das brasileiras sequer consegue custear um pré-natal decente, as irmãs Biancardi transformaram gravidez em evento de luxo simultâneo. Bianca Biancardi, 30 anos, está grávida de um menino ao mesmo tempo em que a irmã Bruna, 32, espera a terceira filha com Neymar Jr.

O detalhe? Tudo bancado pelo jogador que fatura R$ 98 milhões por ano no Al-Hilal.

O clube das gestações VIP

Bianca abriu caixinha de perguntas no Instagram nesta terça-feira (21) e revelou detalhes da gravidez. Quando questionada sobre ser mãe de menino numa família dominada por mulheres, respondeu com naturalidade de quem não conhece aperto financeiro:

"O coitado vai ser dominado pelas mulheres e vai ter que entrar no fluxo. Quando estiver com as primas, vamos fazendo brincadeiras mais unissex."

Bruna já tem Mavie, 2 anos, e Mel, 1 ano, com o craque. Agora espera a terceira menina. Duas irmãs grávidas juntas, sem preocupação com custo de fralda, leite ou plano de saúde.

O contraste que ninguém comenta

Enquanto as Biancardi planejam chás de bebê coordenados, o brasileiro médio ganha R$ 3.123 mensais. Uma consulta particular de obstetra custa R$ 500. Um ultrassom morfológico? R$ 800.

Faça as contas. O salário de Neymar paga 31.373 ultrassonografias por mês.

Mas o verdadeiro escândalo não está no futebol. Está em Brasília. Os ricos do Congresso aprovaram em 2023 um auxílio-moradia de R$ 4.673 mensais — mesmo os que já possuem imóveis na capital. Dinheiro público subsidiando quem não precisa.

Quem paga a conta?

Neymar ao menos gera receita privada. Seus contratos movimentam bilhões em publicidade e direitos de imagem. As irmãs Biancardi surfam nessa onda, transformando maternidade em conteúdo lucrativo no Instagram.

Já os ricos do Congresso? Esses vivem da máquina pública. Auxílio-moradia, auxílio-alimentação, verba de gabinete, fundo partidário. Tudo pago pelo trabalhador que mal consegue bancar o próprio almoço.

A diferença é simples: um lado admite que vive no luxo. O outro finge servir o povo enquanto vota aumento para si mesmo.

A maternidade como produto

Bianca Biancardi tem 180 mil seguidores. É nutricionista e influenciadora. Cada post sobre a gravidez gera engajamento, contratos publicitários, presentes de marcas.

A gestação deixou de ser experiência pessoal. Virou ativo financeiro. Monetização do útero, literalmente.

Bruna, com 12 milhões de seguidores, opera em escala industrial. Cada ultrassom compartilhado vale milhares em publicidade indireta.

Não há crime nisso. É o capitalismo de influência em estado puro. Mas expõe a distância entre dois Brasis: o dos que transformam gravidez em negócio e o dos que rezam para conseguir vaga no SUS.

O menino que nascerá dominado

Bianca brincou que o filho "será dominado pelas mulheres". A piada esconde uma verdade: a criança nascerá num universo onde tudo é possível. Onde dinheiro nunca é problema. Onde gestação é celebração, não preocupação.

Enquanto isso, nos corredores do Congresso, os ricos de Brasília preparam a próxima votação. Sempre em causa própria. Sempre com o dinheiro dos outros.

As irmãs Biancardi ao menos são honestas sobre o próprio privilégio. Não pedem voto. Não prometem mudança. Apenas exibem uma realidade que 99% da população jamais conhecerá.

E talvez essa sinceridade seja menos ofensiva que a hipocrisia dos que mandam em nome do povo enquanto enchem os próprios bolsos.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.