Jogo da Chape vale menos que iates dos bilionários do Brasil

Jogo da Chape vale menos que iates dos bilionários do Brasil
Foto: Metrópoles

Enquanto Chapecoense e Cruzeiro empatavam em 0 a 0 na Arena Condá pelas oitavas da Copa do Brasil, o valor total da premiação do torneio inteiro — R$ 207 milhões — mal pagaria um final de semana dos homens do ranking bilionários brasil.

Jorge Paulo Lemann, o mais rico do país com US$ 15 bilhões, fatura isso em juros bancários antes do intervalo.

O Jogo Que Ninguém Venceu

A partida desta quarta manteve a escrita morna das oitavas: mais um empate sem gols. Decisão fica para o Mineirão. Quem passar leva R$ 3,9 milhões — o equivalente a 0,00002% da fortuna de Lemann.

Na Arena Condá, 19 mil torcedores assistiram a um espetáculo técnico medíocre. Chapecoense travou. Cruzeiro não criou. O placar zerado resume: futebol brasileiro em crise enquanto bilionários multiplicam patrimônios.

Quanto Vale Um Clube?

A Chapecoense, reconstruída após a tragédia de 2016, vale hoje cerca de R$ 50 milhões em ativos. Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e brasileiro naturalizado singapurense, tem fortuna 240 vezes maior.

O Cruzeiro? Afundado em dívidas de R$ 1 bilhão. Ronaldo Fenômeno tentou salvar. Desistiu. O clube que já foi potência virou sucata financeira — enquanto isso, a família Safra acumula US$ 23 bilhões em bancos e investimentos.

Os Verdadeiros Vencedores

No ranking bilionários brasil atualizado, 62 nomes concentram riqueza equivalente ao PIB de Portugal. Nenhum deles mexe um dedo pelo futebol das categorias de base.

Prefere-se o tênis, o iatismo, o polo. Esportes de elite. Futebol virou entretenimento para massas — lucrativo na TV, esquecido na formação.

"O futebol brasileiro sobrevive apesar dos poderosos, não por causa deles"

Números Que Doem

  • Premiação total da Copa do Brasil 2024: R$ 207 milhões
  • Fortuna de Jorge Paulo Lemann: R$ 75 bilhões
  • Dívida do Cruzeiro: R$ 1 bilhão
  • Valor de mercado da Chapecoense: R$ 50 milhões
  • Número de bilionários brasileiros: 62

A conta não fecha. Nunca fechou. Enquanto clubes imploram por SAF e investidores estrangeiros, a elite nacional prefere paraísos fiscais e offshores.

E Agora?

A decisão acontece no Mineirão. Cruzeiro joga em casa com vantagem mínima do empate. Chapecoense precisa vencer ou empatar com gols para levar nos pênaltis.

Seja qual for o resultado, uma certeza permanece: os verdadeiros vencedores do Brasil nunca pisam em gramados. Eles preferem conselhos administrativos, jantares em Davos e reuniões fechadas onde o poder real é negociado.

O futebol? Esse fica para o povo. Junto com as migalhas.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.