US$ 110 bi: Justiça trava megafusão Hollywood por poder
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 3 mil por mês, dois estúdios de Hollywood tentavam fechar um negócio de US$ 110 bilhões — cerca de R$ 620 bilhões. Dinheiro suficiente para pagar o salário mínimo de todo trabalhador brasileiro por quase dois anos.
A fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Global acaba de levar um balde de água fria. Doze estados americanos conseguiram convencer a Justiça a travar temporariamente o negócio.
O motivo? Medo de concentração de poder.
Quem contra quem
De um lado, David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, e os executivos da Paramount, comandada por Shari Redstone. Do outro, procuradores-gerais de uma dúzia de estados que enxergam cartel em formação.
A decisão judicial suspende qualquer movimentação até que uma análise mais profunda seja concluída. Nada de assinar papéis, nada de transferir ativos, nada de celebrar com champanhe de US$ 5 mil a garrafa.
O argumento dos estados é direto: juntas, Warner e Paramount controlariam fatia brutal do mercado de entretenimento americano. Streaming, cinema, TV a cabo, produção de conteúdo. Tudo concentrado em menos mãos.
O que está em jogo
Warner Bros. Discovery já é gigante. Controla HBO, HBO Max, Discovery+, CNN, Cartoon Network. A lista não acaba.
Paramount traz para a mesa: Paramount+, MTV, Nickelodeon, CBS, Showtime. E os estúdios de cinema que produziram de O Poderoso Chefão a Top Gun.
Juntas, as empresas formariam um leviatã capaz de ditar preços, esmagar concorrentes menores e definir o que o público assiste — ou deixa de assistir.
Para os procuradores estaduais, isso se chama monopólio. Para os executivos, se chama "sinergia" e "eficiência operacional".
Dinheiro e mais dinheiro
Os US$ 110 bilhões em questão não são abstratos. Representam o valor de mercado combinado das duas empresas, somando ativos, marcas, bibliotecas de conteúdo e projeções futuras.
É dinheiro que movimenta fundos de investimento, bancos de Wall Street e escritórios de advocacia que cobram US$ 2 mil por hora de trabalho.
Enquanto isso, no Brasil, Brasília observa. Não porque o negócio impacte diretamente o mercado nacional — embora streamings e filmes cheguem aqui também — mas porque ilustra como poder e dinheiro se concentram nas mãos de pouquíssimos.
A Warner e a Paramount têm operações no Brasil. Produzem conteúdo local. Empregam brasileiros. Mas as decisões sobre o que produzir, quanto investir e onde cortar custos são tomadas em Los Angeles e Nova York.
O que vem agora
A suspensão é temporária. A Justiça americana vai analisar se a fusão viola leis antitruste. Pode levar meses. Pode levar anos.
As empresas, claro, vão lutar. Contratarão batalhões de advogados. Farão lobby. Tentarão convencer reguladores de que o negócio é bom para o consumidor — o argumento padrão.
Os estados que moveram a ação terão que provar que a concentração prejudica a concorrência. Não é simples. Mas doze procuradores-gerais não se movimentam à toa.
No fim, tudo se resume a uma pergunta antiga: quanto poder é poder demais?
A resposta vale US$ 110 bilhões.