Kalil vira 'novo Ciro' e expõe racha no PDT dos senadores
Alexandre Kalil virou o novo Ciro Gomes. Pelo menos é o que diz a ala petista do PDT, irritada com as críticas do ex-prefeito de Belo Horizonte ao governo Lula.
A comparação não é elogio. É aviso de que Kalil pode seguir o caminho do ex-ministro: isolamento político e irrelevância eleitoral.
O racha dos senadores
O PDT está rachado. De um lado, a turma alinhada ao PT e ao Planalto. Do outro, os que acham que o partido virou puxadinho de Lula.
Kalil entrou nessa guerra ao criticar publicamente o governo federal. Disse que falta gestão. Que falta eficiência. Que o PT governa mal.
A reação foi imediata. Caciques do PDT compararam Kalil a Ciro Gomes, que rompeu com Lula e perdeu espaço na política nacional.
Quanto vale essa briga?
Não é papo de botequim. É disputa pelo patrimônio político do partido — e pelo patrimônio mesmo.
O PDT tem três senadores: Carlos Lupi (RJ), Weverton (MA) e Veneziano Vital do Rêgo (PB). Todos próximos ao governo. Todos com interesse em manter o acesso ao Planalto.
Senadores ganham R$ 33,7 mil por mês. Mas o salário é fichinha. O verdadeiro valor está nas emendas parlamentares, nos cargos de confiança, no poder de influenciar licitações e contratos.
Em 2024, cada senador teve direito a R$ 50 milhões em emendas. Multiplique por três. São R$ 150 milhões sob controle direto dos senadores pedetistas.
Kalil ameaça essa tranquilidade. Sua retórica anti-PT pode empurrar o PDT para a oposição — e para longe do cofre federal.
O exemplo de Ciro
Ciro Gomes rompeu com Lula em 2022. Perdeu as eleições. Perdeu relevância. Hoje amarga o ostracismo político.
O ex-ministro tinha projeto presidencial. Tinha base eleitoral no Ceará. Tinha décadas de carreira.
Nada disso impediu sua queda. Bastou ficar contra Lula.
Os senadores do PDT conhecem essa história. E não querem repeti-la.
Kalil insiste
O ex-prefeito não recua. Diz que não é candidato a nada. Que só quer falar a verdade. Que o PT precisa ouvir críticas.
Pode até ser sincero. Mas sinceridade não paga conta em Brasília.
Kalil perdeu a eleição para governador de Minas em 2022. Ficou em terceiro lugar. Sua única vitória expressiva foi a prefeitura de BH — cargo que deixou com reprovação em alta.
Mesmo assim, insiste em cutucar o PT. Em provocar Lula. Em repetir o script de Ciro.
O preço da rebeldia
Política brasileira não perdoa dissidência. Especialmente quando o dissidente não tem base eleitoral sólida.
Kalil não tem. Ciro não tinha. Ambos apostaram na retórica anti-PT como diferencial.
O resultado está aí: Ciro sumiu do mapa. Kalil pode seguir o mesmo caminho.
Enquanto isso, os senadores do PDT seguem firmes ao lado de Lula. Porque sabem que, em Brasília, patrimônio político se constrói com acesso ao poder.
E acesso ao poder, hoje, significa estar ao lado do Planalto. Goste-se ou não de Lula.