Laura Pigossi fatura US$ 15 mil e sobe 39 posições no ranking
Enquanto dinastias políticas brasileiras debatem orçamentos bilionários em Brasília, Laura Pigossi suava por US$ 15 mil em Gran Canaria. Duas horas e 28 minutos de batalha no saibro espanhol. O prêmio? Voltar ao top 200 do tênis mundial.
A número 2 do Brasil virou uma partida que parecia perdida. Perdeu o primeiro set de virada. Caiu para 1 a 3 no set decisivo contra a turca Berfu Cengiz, 353ª do ranking. Então fez cinco games consecutivos e fechou 6/7 (2-7), 6/1 e 6/3.
Pigossi saiu da 239ª posição mundial e agora mira o top 200. A conquista do W100 de Gran Canaria — torneio do circuito ITF — representa mais que números. É sobrevivência no tênis profissional.
O circuito que ninguém vê
O W100 paga US$ 100 mil em premiação total. A campeã leva 15 mil dólares. Parece muito? No tênis de elite, mal cobre os custos anuais de um tenista profissional: técnico, fisioterapeuta, viagens, inscrições.
Enquanto isso, Iga Swiatek faturou US$ 27 milhões só em 2025. O abismo entre o top 10 e o top 200 não é técnico — é financeiro.
Laura disputa torneios que a ESPN não transmite. Quadras sem arquibancada lotada. Prêmios que mal pagam a conta do hotel.
Brasil em alta no circuito
A vitória de Pigossi acontece numa semana positiva para o esporte brasileiro:
- Sampaio Basquete conquistou a Liga Nacional de Basquete Feminino
- Daniel Ferreira, maratonista olímpico, foi encontrado vivo após 44 dias desaparecido
- Carol e Rebecca avançaram à final do Circuito Mundial de vôlei de praia
Mas nenhum desses atletas aparece em horário nobre. Nenhum fecha contrato milionário com montadoras alemãs.
Os números da virada
Berfu Cengiz tinha tudo para vencer. Ranking inferior, mas vantagem no placar: set a zero e 3 a 1 na parcial final. Laura precisou de resiliência — palavra bonita para descrever quem não desiste quando está perdendo.
Cinco games seguidos. Seis a três no terceiro set. Título conquistado às 17h de domingo, horário de Brasília. Enquanto brasileiros assistiam futebol na TV aberta.
O saibro espanhol não perdoa erros. A turca cometeu mais. Laura capitalizou. Tênis é assim: frieza sob pressão vale mais que talento bruto.
O que vem pela frente
Com a vitória, Pigossi soma pontos no ranking da WTA. O top 200 abre portas para qualificatórias de Grand Slams. Ainda não é o circuito principal, mas é um passo.
Próxima parada: provavelmente outro W100, talvez um W75. A rotina de quem luta para estar entre as 100 melhores do mundo. Onde finalmente começa a sobrar dinheiro.
Até lá, são 15 mil dólares no bolso. Menos impostos. Menos despesas. O suficiente para bancar mais algumas semanas na estrada.
Enquanto isso, em Brasília, deputados de dinastias centenárias discutem emendas de R$ 50 milhões. Cada um.