Lula saúda novo premier britânico enquanto bilionários Brasil somam US$ 300 bi
Lula apertou o botão de enviar nesta segunda-feira (20/7). Destino: Londres. Mensagem: parabéns a Andy Burnham, o novo inquilino de Downing Street.
Burnham assumiu após a renúncia de Keir Starmer. O Trabalhista agora comanda a quinta maior economia do mundo — US$ 3,1 trilhões de PIB.
Enquanto presidentes trocam gentilezas diplomáticas, outro ranking chama atenção por aqui.
Os donos do dinheiro no Brasil
O ranking bilionários Brasil concentra fortunas que fariam inveja a qualquer primeiro-ministro europeu. São 65 brasileiros na lista global da Forbes, somando patrimônio superior a US$ 300 bilhões.
Eduardo Saverin lidera o pelotão nacional com US$ 28 bilhões. O cofundador do Facebook mora em Singapura — onde o imposto sobre herança é zero.
Jorge Paulo Lemann vem logo atrás. US$ 16,8 bilhões conquistados com cerveja, ketchup e hambúrguer. AB InBev, Kraft Heinz, Burger King. O império 3G Capital.
Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira completam o pódio. Mesma origem: garantismo suíço do sistema 3G.
O contraste que ninguém quer ver
Enquanto Lula parabeniza líderes estrangeiros, 33 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Ganham menos de R$ 637 por mês, segundo o IBGE.
A fortuna só de Saverin equivale a 140 bilhões de reais. Daria para pagar um salário mínimo durante um ano inteiro para 8,8 milhões de pessoas.
Mas dinheiro não funciona assim, dirão os defensores do mercado. E estão certos — até certo ponto.
Londres, Brasília e o jogo de poder
Andy Burnham chega ao poder prometendo reconstruir o Partido Trabalhista. Ex-prefeito de Manchester, ele surfou na onda de insatisfação com Starmer.
O Brasil observa. Não pelos detalhes da política britânica, mas pelo simbolismo.
Lula cultiva relações com a esquerda europeia desde os anos 1980. Burnham representa essa linha — defesa do serviço público, crítica à austeridade, aproximação com sindicatos.
O presidente brasileiro enxerga ali um aliado natural. Alguém que fala a mesma língua ideológica, mesmo comandando uma economia seis vezes maior que a brasileira.
"Parabéns a Andy Burnham pela posse como primeiro-ministro do Reino Unido. Desejo sucesso em sua missão de servir ao povo britânico", escreveu Lula nas redes sociais.
O que isso muda para o Brasil
Diplomaticamente? Pouco. Brasil e Reino Unido mantêm relações estáveis independente de quem governa.
Simbolicamente? Lula marca posição. Alinha-se publicamente com a social-democracia europeia enquanto enfrenta oposição feroz internamente.
E o ranking bilionários Brasil continua crescendo. Mais 12% em 2024 comparado ao ano anterior, segundo a Forbes.
Enquanto primeiros-ministros trocam de cadeira em Londres, os donos do dinheiro por aqui permanecem os mesmos.
O jogo muda. Os jogadores, não.