Lula quer brigar por salário Congresso 2026 em 4º mandato
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.900 por mês, um deputado federal embolsa R$ 44 mil — fora as emendas bilionárias que controlam com cada vez mais poder. E Lula acabou de prometer mexer nesse vespeiro.
Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente declarou guerra ao Congresso Nacional. O alvo: as emendas parlamentares que transformaram deputados e senadores em verdadeiros patrões do Orçamento da União.
"Se eu ganhar essa eleição, vou ter que brigar com o Congresso", afirmou Lula, diante de militantes petistas. A franqueza assustou até aliados.
Quanto vale o poder do Congresso
Os números explicam a briga. Em 2024, parlamentares controlaram R$ 52 bilhões em emendas — dinheiro que decidem sozinhos onde aplicar. Para 2025, querem mais.
Esse montante supera o orçamento de ministérios inteiros. É mais que o governo federal gasta com universidades públicas. É quase o dobro do Bolsa Família.
Lula reclama que perdeu poder. O Executivo virou refém do Legislativo. Cada votação importante custa bilhões em emendas liberadas. Cada ministro precisa negociar com deputados como se pedisse favor.
O que está em jogo em 2026
A disputa não é só por emendas. Lula criticou também:
- O fundo partidário turbinado que financia campanhas
- A perda de atribuições do presidente da República
- O salário do Congresso, que parlamentares reajustam sem critério técnico
- A autonomia excessiva do Legislativo sobre o Orçamento
O recado foi claro: se ganhar em 2026, vem briga pela frente.
Quem ganha com o sistema atual
Arthur Lira, presidente da Câmara, construiu um império político controlando a torneira das emendas. Quem vota com ele, recebe. Quem vota contra, fica a ver navios.
O sistema beneficia especialmente o Centrão — bloco de partidos sem ideologia definida que vende apoio ao governo de plantão. O preço? Cada vez mais emendas, mais cargos, mais poder.
Rodrigo Pacheco, no Senado, opera com mais discrição, mas a lógica é a mesma. Orçamento virou moeda de troca.
O cálculo de Lula
Especialistas dizem que Lula faz aposta arriscada. Brigar com o Congresso pode custar a governabilidade. Mas o presidente calcula que o eleitor está cansado de ver parlamentares nadando em dinheiro enquanto serviços públicos afundam.
"O povo precisa saber que o presidente da República está perdendo poder para o Congresso", disse Lula na convenção. É discurso de campanha, mas também preparo de terreno para conflito real.
Se eleito, Lula terá maioria no Congresso? Improvável. O Centrão sempre se fortalece nas eleições legislativas. Significa que a "briga" prometida pode resultar em quatro anos de paralisia.
Quanto custa o Congresso Nacional
Além das emendas, há os custos fixos. O Congresso Nacional tem orçamento próprio de R$ 14 bilhões anuais. Cada parlamentar custa aos cofres públicos cerca de R$ 5 milhões por ano — salários, auxílios, estrutura, assessores.
Para 2026, a discussão sobre reajuste do salário do Congresso já começou nos bastidores. Deputados e senadores querem corrigir os vencimentos acima da inflação. Lula promete vetar. Mas veto pode ser derrubado.
O jogo está lançado. De um lado, um presidente que quer recuperar poder. Do outro, um Legislativo que não pretende devolver nada. E no meio, o contribuinte pagando a conta.