Lula lamenta morte de irmão de senador da dinastia Azevedo
Matheus Augusto Azevedo morreu aos 30 anos. Leucemia. O irmão mais novo do senador Cleitinho (Republicanos-MG) não resistiu às complicações da doença. Trabalhava na empresa da família em Divinópolis.
O presidente Lula quebrou o protocolo do domingo para prestar condolências públicas. Raro. Nas redes sociais, o petista expressou "consternação" pela morte ocorrida no sábado (18).
"Quero expressar minha consternação pela morte de Matheus Augusto Azevedo, ocorrida na tarde de ontem em Divinópolis. Aos seus irmãos - o senador Cleitinho, o deputado estadual Eduardo e o ex-prefeito Gleidson Azevedo -, deixo meus sentimentos"
A dinastia política de Minas
Três irmãos. Três mandatos. A família Azevedo controla posições estratégicas em Minas Gerais.
Cleitinho ocupa cadeira no Senado Federal. Eduardo Azevedo domina a Assembleia Legislativa mineira. Gleidson já comandou a prefeitura de Divinópolis. Matheus, o quarto irmão, ficou nos negócios.
A manifestação presidencial revela o peso político da família. Lula não costuma comentar mortes de parentes de parlamentares da oposição. Mas os Azevedo transcendem partido.
O gesto que une rivais
Cleitinho votou contra Lula em todas as ocasiões relevantes no Senado. Faz parte do grupo de oposição sistemática ao governo petista. Mas diante da morte, a política parou.
O timing importa. 2026 é ano de articulações para as eleições. Minas Gerais decide presidências. A família Azevedo controla votos e influência no interior do estado.
Solidariedade ou cálculo? Provavelmente ambos. A política brasileira funciona assim: adversários no plenário, aliados nos bastidores quando convém.
Fortuna e poder em família
Matheus trabalhava na empresa familiar. Os Azevedo construíram império empresarial em Divinópolis antes de entrar na política. Padrão conhecido: primeiro o dinheiro, depois o mandato.
A combinação de negócios e política mantém dinastias no poder. Enquanto um irmão cuida do caixa, outros ocupam cargos eletivos. Sistema que se retroalimenta.
A morte prematura de Matheus interrompe essa engrenagem. Aos 30 anos, leucemia não escolhe classe social. Mas o luto de uma família poderosa ganha atenção presidencial.
Lula sabe o valor simbólico do gesto. Estender a mão ao adversário no momento da dor rende dividendos políticos. E em Minas Gerais, terra de acordos silenciosos, cada movimento conta.
Os Azevedo enterram o irmão mais novo. A política mineira registra o momento. E o Planalto manda flores — literalmente ou em forma de nota pública.